Curitiba - O mês de maio foi um mês com poucas votações polêmicas na Assembléia Legislativa. O tema que mais ocupou os parlamentares foi a apreciação do veto do governador Roberto Requião (PMDB) ao plano de carreira dos professores da rede estadual de ensino, mantido pelos deputados na terça-feira passada. Apesar de ter sido vetado no dia 15 de março, o artigo que previa um reajuste salarial retroativo a fevereiro ficou quase dois meses encalhado na Assembléia antes de ser colocado em pauta para apreciação.
Um dos motivos para a demora na apreciação do veto foi o descontentamento da base aliada com o atendimento dado pelo primeiro escalão do governo aos parlamentares, assunto que movimentou os bastidores da Assembléia. Os governistas queixavam-se do fato do governo distribuir recursos em suas bases eleitorais sem prestigiar os deputados nas cerimônias. O mal-estar foi parcialmente resolvido após uma reunião da base com o secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana.
O assunto mais controverso votado pelos deputados foi a mensagem enviada por Requião dando carta-branca para que o Poder Executivo mexesse em até 9% do total do orçamento estadual sem precisar da autorização da Assembléia. Apesar da revolta de alguns deputados da oposição, a mensagem foi aprovada no dia 4 de maio com 29 votos dos 54 deputados que compõem a casa.
A mensagem, entretanto, está sendo contestada na Justiça pelo deputado Durval Amaral (PFL), líder da bancada de oposição na Casa. Segundo Amaral, a mensagem não poderia ter sido votada em virtude justamente da demora na apreciação do veto. No entender de Amaral, o veto estaria trancando a pauta, e nenhum assunto poderia ser discutido antes que o impasse fosse solucionado. O Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) ainda não deu uma sentença sobre a questão.
Outro assunto que movimentou a Assembléia foi a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidade no Porto de Paranaguá. As investigações geraram atritos entre os integrantes da CPI e Requião, que classificou a comissão como ''ridícula''. O porto é administrado pelo irmão do governador, Eduardo Requião.

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