Mainguê tenta reverter crise da PM com governador
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Sucursal de Curitiba 
O comandante geral da Polícia Militar, Daniel César Mainguê, passou o dia de ontem tantando encontrar uma solução que acabe com o conflito gerado por causa da exoneração do coronel Honório Bortolini, do comando do Policiamento da Capital. O coronel foi chamado pelo governador Jaime Lerner no início da noite. Horas antes, ele tinha se reunido com o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. Depois da reunião, os dois seguiram para o Palácio Iguaçu. Mainguê cogitava de pedir afastamento do cargo.
O comandante geral da PM está insatisfeito com os últimos acontecimentos da Polícia Militar. Ele se sentiu desprestigiado com a maneira como o governador determinou a troca do Comando da Capital. O coronel Honório Bortolini foi afastado sem que a Secretaria de Segurança e o comando geral fossem comunicados.
O afastamento de Bortolini fez com que os oficiais da reserva divulgassem ontem um manifesto tachando a atitude de Lerner de desastrada e insensível para quem aspira à Presidência da República. O presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares e Pensionistas, Elizeu Furquim, fez duras críticas ao governo. Foi uma grosseria sem tamanho, disse Furquim, ao se referir às declarações do chefe da Casa Civil, Giovani Gionédis, que mandou os incomodados se retirarem.
O secretário-chefe de Gabinete, Gerson Guelmann, saiu em defesa do governo e disse que a decisão tomada pelo governador é irrevogável. Esse assunto está esgotado e não há como voltar atrás, garantiu Guelmann. O secretário disse que o Palácio Iguaçu entendeu o manifesto como uma ação exclusiva dos oficiais da reserva. Guelmann disse que o restante da tropa não compartilhava da injustiça que a reserva fazia ao governador.
Furquim, que é vereador pelo PFL em Curitiba, assegurou que o manifesto falava em nome dos oficiais da ativa. Muitos coronéis quiseram assinar documentos repudiando a atitude do governo, mas nós seguramos o movimento para evitar complicações, disse Furquim. (C.M.)


