O comandante geral da Polícia Militar, Daniel César Mainguê, entregou ontem seu pedido de demissão ao secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. A decisão foi tomada após uma reunião a portas fechadas com os 12 coronéis que têm condições de assumir cargos de comandante. Mainguê alegou que não teria mais condições de permanecer no cargo após a decisão do governador Jaime Lerner, que na semana passada trocou o comandante do Policiamento da Capital.
A queda de Daniel César Mainguê estava sendo cogitada desde o começo da semana. O coronel não esperou ser ‘‘fritado’’ e decidiu sair. O comandante era um dos principais insatisfeitos com a exoneração do coronel Honório Bortolini e com a posterior nomeação do coronel Sérgio Tippa para o Comando do Policiamento da Capital. A maneira como o governador agiu foi decisiva para deixar Mainguê descontente.
Fontes ligadas ao coronel informaram ontem que o governador sequer comunicou ao secretário de Segurança e ao comandante geral a saída de Bortolini. Lerner assinou a exoneração atendendo a um pedido do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury. O chefe da Casa Militar, coronel Luiz Antonio Vieira, também teria orientado o governador a substituir Bortolini.
Vieira é apontado como o pivô da crise instalada na Polícia Militar. ‘‘Ele (Vieira) provocou uma insurreição dentro da corporação’’, avaliou um dos coronéis insatisfeitos, que pede para não ter o nome divulgado por temer represálias. Segundo este mesmo coronel, o chefe da Casa Militar vinha trabalhando há alguns meses para ‘‘derrubar’’ o comando geral. Ele teria interesse pessoal no cargo.
O chefe da Casa Militar nega que tenha interesse no cargo. ‘‘Estou muito bem aqui no Palácio Iguaçu, onde tenho trânsito livre’’, afirmou Vieira. Ele desmente que pretendia colocar um dos coronéis aliados Luís Fernando de Lara (chefe do Estado Maior) ou Renildo Gonçalves (diretor de apoio logístico) no lugar de Mainguê.
A atuação de Vieira provocou descontentamento do líder do governo, Algaci Túlio (PDT). O deputado pediu ontem a ‘cabeça’ de Vieira, durante seu programa na Rádio Clube. ‘‘A Polícia Militar não pode continuar sendo comandada de dentro do Palácio Iguaçu’’, afirmou o deputado.
A crítica de Túlio foi rebatida pelo próprio Vieira e pelo secretário-chefe de Gabinete, Gerson Guelmann. ‘‘O Algaci se deixou levar pela onda de emoções’’, disse Guelmann. O secretário afirmou que o chefe da Casa Militar é uma pessoa de ‘‘extrema lealdade’’ ao governador. Vieira telefonou a Túlio e reforçou a idéia de que o deputado teria sido manipulado pelos comandantes insatisfeitos.

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