Em uma vitória surpreendente, desenhada nos últimos cinco dias, César Maia (PTB) foi eleito o novo prefeito do Rio, com 1.610.176 votos, derrotando Luiz Paulo Conde (PFL), atual prefeito da cidade, que teve 1.543.327. O percentual registrou para Maia 51,06% dos votos, contra 48,94% de seu adversário – uma diferença de apenas 66.849 votos. ‘‘Vou voltar à prancheta’’, anunciou Conde, tão logo soube da derrota. Até as 20h10, Maia não havia se pronunciado sobre a vitória.
Pesquisa do Ibope divulgada no último dia 24 apontava uma diferença de dez pontos percentuais a favor de Conde, que contava com 48% das intenções de voto. Quatro dias depois, um novo levantamento do instituto de pesquisa já mostrava que Maia havia tido um crescimento de seis pontos percentuais no curto espaço de tempo e contabilizava 44% da preferência do eleitorado. Seu adversário havia caido um ponto e o quadro era de empate técnico. A pesquisa de boca-de-urna diminuiu a diferença: apontou 51% dos votos para Conde e 49% para Maia. O prefeito, no entanto, manteve-se atrás do petebista durante toda a apuração.
Pela manhã, confiante na vitória, Maia afirmou que pretende conversar com todas as forças que o apoiaram – segundo ele, PPB, PDT, PV, PPS, PL, PSDB e até PT – antes de formar o novo governo. Maia disse que lideranças como Benedita da Silva e Jorge Bittar (PT), Leonel Brizola (PDT), Luiz Paulo Corrêa da Rocha, Marcello Alencar e Artur da Távola (PSDB) e Francisco Dornelles (PPB) lhe deram votos porque se assustaram ‘‘com a mistura de partido com poder público’’ no governo estadual. Foi uma menção velada ao governador Anthony Garotinho (PDT), que apoiou seu adversário, Luiz Paulo Conde (PFL).
‘‘O voto, o apoio deles, foi em defesa da democracia’’, afirmou. ‘‘Eles acham que o partido dentro do Estado caracteriza o Estado total, que é uma base do Estado hitlerista’’. O petebista afirmou que, no governo estadual, ‘‘os diretórios são coordenações de governo’’ e se declarou intrigado por ter apoio de forças tão distintas. Ele disse que os outros partidos apenas avisaram ‘‘que o voto viria’’, sem exigir nada, e explicou que ‘‘não necessariamente’’ todas as legendas que o apoiaram terão cargos na nova administração.
Assim que o resultado foi divulgado oficialmente pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Conde deu uma entrevista na qual atribuiu sua derrota ao fato de seu adversário ter feito promessas eleitoreiras. ‘‘Eu não posso deixar de combater o transporte alternativo irregular, não posso dizer que vou perdoar as multas de trânsito’’, enumerou, citando algumas promessas de Maia. ‘‘Não sou um político profissional, não armo armadilhas para ganhar a guerra.’’ Na avaliação de Conde, seu adversário também soube explorar muito bem as opiniões técnicas emitidas por ele durante a campanha. ‘‘Minhas opiniões técnicas sobre o metrô da Pavuna e sobre a lei do Apart Hotel foram bem aproveitadas pelo adversário’’, admitiu.
Conde disse ainda que viu muitos veículos do transporte alternativo levando pessoas para as zonas eleitorais. ‘‘Eles empunhavam bandeiras de meu adversário e transportavam a população de graça.’’ O atual prefeito desejou que seu sucessor faça ‘‘um governo sério e bom no Rio de Janeiro.’’ Foram contabilizados 6,21% de votos nulos e 2,34% em branco. As abstenções somaram 18,75%.