Maia tende a ser reeleito, avaliam deputados paranaenses
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sábado, 05 de janeiro de 2019
Rafael Costa/Reportagem Local 
Curitiba - Deputados federais eleitos e reeleitos ouvidos pela FOLHA avaliaram que o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tende a viabilizar sua reeleição para o comando da Casa, em fevereiro. A avaliação é que Maia tem um bom trânsito entre a maioria das bancadas e já conseguiu articular um número consistente de votos. Os recentes apoios da bancada do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL - segunda maior da Câmara - e do PRB, com a desistência do deputado João Campos (PRB-GO), tornam improvável o surgimento de uma candidatura alternativa com condições de competir com o atual presidente.
É o que avalia o deputado federal reeleito Diego Garcia (Podemos-PR), que tem base em Londrina e Norte Pioneiro. "Nesse cenário, acho difícil surgir outro nome capaz de mudar esse quadro e inviabilizar a reeleição do presidente Rodrigo Maia", diz o parlamentar, para quem a maioria da bancada paranaense deve fechar com o atual presidente. Segundo Garcia, Maia ganha força por estar alinhado com a agenda econômica do novo governo e por ter um estilo de condução da Câmara "sem viés de esquerda ou de direita".
"Hoje, ele consegue votos em todos os partidos. Essa capacidade de articulação dentro de praticamente todas as bancadas é um diferencial que o acaba fortalecendo para a presidência", diz, avaliando que uma candidatura de oposição como a de Marcelo Freixo (PSOL-RJ) teria dificuldades para tirar votos de Rodrigo Maia mesmo em siglas à esquerda, como o PCdoB e o PDT. "Como o voto é secreto, muitas vezes os partidos não conseguem controlar", observa. Para Diego Garcia, o Podemos deve anunciar apoio a Maia.
OPOSIÇÃO
O cálculo do deputado reeleito Enio Verri (PT-PR) é mais otimista para uma candidatura alternativa. Na avaliação do deputado de Maringá, o apoio do PSL afasta os partidos de esquerda e centro-esquerda de qualquer acordo pela reeleição do presidente da Casa. "Se Rodrigo Maia está costurando apoio com Bolsonaro, não há espaço para ficarmos juntos", adianta. "A tendência é que nós lancemos nome próprio ou procuremos dentro de outros partidos a confecção de um outro bloco que possa indicar um outro candidato a presidente", conta.
Os cerca de 130 votos das bancadas do PT, PSB, PDT, PSOL e PCdoB seriam suficientes para levar uma candidatura alternativa ao segundo turno. "Se tiver mais um ou dois partidos descontentes com essa aliança que está sendo feita, é possível termos uma chapa competitiva", avalia Verri. O deputado aponta que a negociação atual é ruim para a autonomia da Câmara. "Vai ocorrer uma subordinação muito grande do Legislativo em relação ao Executivo", diz. "Os três poderes que compõem a República têm de ser harmoniosos, mas independentes. Com esse desenho que está sendo montado, a tendência é termos uma Câmara dos Deputados subjugada à pauta do Executivo. Isso não pode ser positivo para o país". Para Verri, no entanto, o cenário deve ficar indefinido até as vésperas da eleição. "Não quer dizer que não vá se manter, mas ele pode ser alterado 200 vezes até o dia 1º de fevereiro", afirma o petista.
A deputada reeleita Leandre (PV) também avalia que o cenário não está consolidado, embora considere que a eleição esteja "bastante encaminhada". Ela diz que a bancada do PV, de quatro deputados, fechou questão com Rodrigo Maia e não vislumbra outros candidatos competitivos, mas diz que podem ser construídas outras candidaturas nas próximas semanas. "Até o dia 1º de fevereiro tem muito chão", opina. Outro parlamentar ouvido pela FOLHA avalia que "o jogo ainda nem começou".
Já o deputado eleito Filipe Barros (PSL) considera que as articulações estão adiantadas e avalia que Maia tem chances de ganhar ainda em primeiro turno. "Não acredito que o cenário mude", diz o londrinense. "Não vislumbramos outro candidato", avalia. Segundo Barros, o apoio do PSL resultou da avaliação de que Maia pode garantir governabilidade a Bolsonaro. A adesão também foi um movimento para "minar" eventuais posições de destaque para partidos de esquerda na Casa. "[Maia] é o ideal? Claro que não. Mas é o possível e viável", admite, em referência à resistência do eleitorado da sigla ao nome do atual presidente da Câmara.
CANDIDATURA
Também novato, Boca Aberta (Pros) conta que a tendência de seu próprio partido é anunciar apoio a Maia. "Tem outros nomes sendo ventilados - alguns deputados reeleitos, que têm grande trânsito também. Mas, hoje, Rodrigo Maia tem uma grande articulação", avalia o deputado eleito por Londrina. Ele diz que vai levar sua própria candidatura à presidência da Câmara ao Pros.


