Maia põe ex-guerrilheiro no governo
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segunda-feira, 01 de janeiro de 2001
Wilson Tosta Do Rio de Janeiro Agência Estado 
Saem os técnicos, entram os políticos. Na segunda passagem pela prefeitura do Rio, César Maia (PTB) empossará um secretariado que, segundo as palavras dele, refletirá o perfil da vitória sobre o prefeito Luiz Paulo Conde (PFL). A dinâmica da vitória, em 1992 (quando Maia foi eleito pela primeira vez) foi muito pessoal, disse Maia. Mas, em 2000, ela foi coletiva no segundo turno. Resultado: o governo terá um ex-guerrilheiro, como Alfredo Sirkis, secretário de Urbanismo, e um ex-integrante da repressão, o general Nilton Cerqueira, subsecretário de Transportes.
Os dois extremos sintetizam a mistura ideológica que caracterizará a nova gestão de Maia, na qual também estarão filiados do PPS e do PSDB, e que não existe no atual, onde predominam técnicos. O novo prefeito anunciou um início agitado. O petebista adiantou que, assim que tomar posse, bloqueará o Orçamento e interromperá pagamentos a fornecedores e empresas. Ele prometeu auditar os contratos e não pagar nada que esteja sob suspeita. Maia também luta para conseguir incluir, no pagamento da dívida com a União, R$ 300 milhões em créditos da prefeitura com o governo federal.
O novo prefeito deverá contrapor-se ao governador Anthony Garotinho (sem partido) na briga pela chefia política do Estado. A disputa, na verdade, começou. Conde, que teve o apoio do governador, desfez acordos com a prefeitura para obras e controle de trânsito, num movimento que poderá resultar em prejuízo para a cidade. A capital perderá parte do dinheiro que recebia com as multas de trânsito: dos atuais 85%, passará a 50%. O grupo de Maia reagiu e ameaça recorrer à Justiça. Em meio ao ambiente de confronto e mágoas Conde foi eleito em 1996 com apoio de Maia, que o derrotou em 2000, numa campanha marcada por ataques e acusações de favorecimento pessoal , não haverá transmissão de cargo. O atual prefeito, espera-se, não se encontrará com o novo.
Foi o César que não quis, disse Conde. Não guardo mágoas. Maia tomará posse hoje de manhã, na Câmara, e, à tarde, empossará o secretariado, no Palácio da Cidade, em Botafogo, na zona sul. No Legislativo, não são esperados grandes problemas para o Executivo. Dos 42 vereadores, só 11 são de partidos que podem, realmente, fazer alguma oposição ao prefeito: PT, PDT, PSB e PC do B. Os outros parlamentares, na maioria, costumam trocar os votos por benefícios para as comunidades em que atuam.


