Hamburgo e Buenos Aires - Enquanto se especula sobre uma possível movimentação do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), o presidente Michel Temer disse na sexta-feira (7) confiar no aliado. "Acredito plenamente. Ele só me dá provas de lealdade o tempo todo", disse, na recepção do hotel Le Méridien, em Hamburgo, onde está hospedado. Ele retornava de um concerto na filarmônica da cidade, o último evento do dia na cúpula do G20. Maia nega qualquer articulação contra Temer.

Temer também disse que sua preocupação em relação a uma delação de Eduardo Cunha é "zero", e que também "zero" é sua preocupação quanto à base aliada -enquanto tenta barrar na Câmara a denúncia de corrupção passiva contra ele.
"Zero preocupação", disse. "O PSDB tem quatro ministérios, os ministros estão muito tranquilos." Todos eles lhe telefonaram, afirmou, para explicar a declaração do senador Tasso Jereissati.

O presidente comentou, por fim, a fala do senador Cássio Cunha Lima (PSDB), reportada na coluna "Painel", da "Folha de S.Paulo", dessa sexta (7), de que, se depender da tramitação da denúncia contra o peemedebista, "dentro de 15 dias o país terá um novo presidente". Lima defende o desembarque do PSDB do governo, em vez de manter os cargos no Executivo.

"Vamos esperar 15 dias, não é verdade?", afirmou Temer. "Vamos esperar. Isso é força de expressão. Às vezes, as pessoas se entusiasmam."

"ESPECULAÇÃO"

Sem tirar os olhos do celular, nem mesmo para tirar as fotos oficiais do evento em que participou em Buenos Aires na quinta (6) e sexta (7), um encontro internacional de parlamentares, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que as informações que vêm circulando indicando um possível acordo entre o seu partido e o PSDB para promover uma transição para uma gestão de Maia são "pura especulação".

"Quando se vive uma crise tão profunda como essa, surgem especulações de todo o tipo. Li uma notícia hoje de que eu estaria pensando em usar a súmula 13 do Supremo [que impede o nepotismo] para que o ministro Moreira Franco não continuasse no cargo. Só que o ministro Moreira Franco não é meu sogro. Ele é casado com a minha sogra. Isso mostra o nível de irresponsabilidade de algumas pessoas na imprensa brasileira."

Insistiu na afirmação de que o DEM não pretende deixar o governo. "Somos aliados do presidente Michel Temer, apesar de toda a crise, e eu disse ao presidente do meu partido no começo da crise que se tivesse que acontecer alguma coisa o DEM deveria ser o último a desembarcar do governo. Nós vamos manter a nossa posição de apoio ao governo."

Quanto ao fato de não tirar os olhos do celular, Maia disse que estava acompanhando o resultado do jogo do Botafogo, que, na noite de quinta, tinha vencido o Nacional, do Uruguai, pela Copa Libertadores.

Como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo, as articulações para que Maia substitua Michel Temer no Palácio do Planalto ganharam corpo na base governista e já foram discutidas inclusive na residência oficial do presidente da Câmara, em Brasília.

A denúncia por corrupção passiva apresentada contra Temer e o rápido derretimento do capital político do governo mudaram o comportamento de Maia nos bastidores e levaram a classe política a enxergar no presidente da Câmara, primeiro na linha sucessória, um potencial novo centro de poder do país.

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