Maia aciona MP para decidir como agir com Jaqueline Roriz
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sexta-feira, 04 de março de 2011
Agência Estado 
Brasília - O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), vai pedir informações ao Ministério Público antes de decidir o que será feito em relação à deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). A deputada foi flagrada em vídeo, em poder do Ministério Público, recebendo um maço de dinheiro do pivô do ''mensalão do DEM'', o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, escândalo que levou à prisão e queda do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.
''Eu vou encaminhar imediatamente um pedido de mais informações ao Ministério Público sobre o andamento do processo para que possa subsidiar uma decisão sobre o procedimento a ser tomado na Câmara'', afirmou Maia. O presidente da Câmara disse que, com os dados da investigação desenvolvida até agora, ele vai analisar se cabe a abertura de um processo de cassação no Conselho de Ética ou qual medida é mais cabível no caso.
Um vídeo inédito, em análise no Ministério Público, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostra a deputada, filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, junto com o marido, Manoel Neto, recebendo um maço de dinheiro das mãos do ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa.
O vídeo foi gravado na campanha eleitoral de 2006, na sala de Barbosa, delator do escândalo de corrupção conhecido como ''mensalão do DEM''. O esquema foi desmantelado pela operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, e acabou derrubando o governador.
As imagens mostram que, depois de guardar o maço na mochila, o casal queixa-se do valor, supostamente abaixo do combinado, e negocia novas contribuições para a campanha de Jaqueline, que então disputava seu primeiro mandado parlamentar. ''Rapaz, não é fácil ser candidato. Resolve isso para mim cara!'', apela Neto, ao ser avisado de que a quantia ficaria entre três e cinco remessas e não cinco ou mais, como supostamente combinado.
Jaqueline e o marido demonstram satisfação quando veem Barbosa colocar o maço fornido de notas de R$ 100 sobre a mesa. Mas, com certa arrogância, reclamaram do baixo valor e tratam Barbosa como um empregado relapso. ''Ela (Jaqueline) tem razão'', diz Neto. ''Com isso aí não vai dar para a gente pagar tudo.'' Mais adiante, Jaqueline explica as dificuldades de campanha e indaga: ''Tem possibilidade de você aumentar (o valor) para mim?'' O ex-secretário é sucinto: ''Vamos ver''.
Até a descoberta do novo vídeo, Jaqueline sempre negou com veemência qualquer envolvimento dela e do pai no esquema. Em discurso, em abril passado, ela chamou de ''cara de pau'' a deputada distrital Eurides Brito (PMDB), cassada após a divulgação de vídeo em que aparece recebendo propina de Barbosa e enfiando o dinheiro numa bolsa de couro.
Rotulado como ''o 31º vídeo da coleção da corrupção no DF'', o flagrante tem 2 minutos e 50 segundos e foi gravado na campanha eleitoral de 2006. Ao todo, Barbosa, depois de ter negociado com o Judiciário a condição de delator premiado, entregou 30 vídeos à Polícia Federal que ajudaram na investigação do mensalão do DEM.


