Magoado, Brandão oficializa a renúncia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de janeiro de 1998
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaDay afterHermas Brandão: após acusação de envolvimento de verba, retorno à Assembléia e planos de reeleição O secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), deixou o governo ontem. O desligamento foi oficializado através de uma carta enviada ao Palácio Iguaçu, na qual o secretário pede demissão para dedicar-se ao processo eleitoral deste ano. A exoneração do secretário, no entanto, só será consumada com o retorno do governador Jaime Lerner (PFL), do exterior, no próximo dia 10. A governadora em exercício, Emília Belinati (PTB), não vai interferir no processo de escolha do sucessor. O diretor geral da Secretaria de Agricultura, Clóvis Pena, assume provisoriamente a pasta.
Brandão deixa a equipe de Lerner depois de ter sido apontado como um dos envolvidos no esquema de desvio de recursos do Programa de Apoio à Pequena Propriedade, em Faxinal (município da região do Vale do Ivaí). O caso foi investigado pela Câmara Municipal e Ministério Público do município, e tem como pivô o ex-prefeito Dirceu Dutra Guerra (PDT). O secretário da Agricultura comparecerá à última sessão do período extraordinário na Assembléia Legislativa, amanhã à tarde, mas só assume a sua cadeira daqui a 30 dias. Ele será o novo líder da bancada do PTB, no lugar do suplente Ademar Traiano (PTB).
O secretário não quis aguardar Lerner para deixar a pasta. Emília Belinati almoçou ontem com ele, no Palácio Iguaçu, e fez apelo para que o secretário aguardasse mais alguns dias. Eu gostaria que ele permanecesse por mais tempo, declarou a vice. Ao contrário do governador Jaime Lerner, a governadora em exercício saiu em defesa do secretário. O Hermas teve uma aprovação muito grande junto aos prefeitos. Ele está saindo porque é candidato à reeleição, declarou pela manhã Emília, que não vincula o afastamento do secretário ao caso Faxinal.
Brandão planeja para o primeiro dia de retorno ao Legislativo, em fevereiro, fazer um balanço da sua permanência na pasta. O faturamento da agropecuária do Paraná em 97 foi de R$ 9 bilhões. E isso incomodou muita gente, observou. O secretário informou ainda que percorrerá o interior do Estado nos próximos dias para receber cerca de 40 títulos de cidadão honorário. Ele aguarda também um manifesto de desagravo assinado por aproximadamente 160 prefeitos do Paraná. Num primeiro momento levei um tiro. Fui para a UTI. Agora, estou bravo, desabafou.
Brandão reafirmou ontem que é inocente e que sai magoado do governo com algumas pessoas. Os aliados do secretário acreditam que o Iguaçu se envolveu no processo de seu afastamento. Brandão era apontado como forte nome para ser o vice de Lerner em 98. Os defensores do secretário entendem ainda que a indiferença de Lerner teria por objetivo amaciar a aproximação PFL-PSDB no Paraná, articulada pelo Palácio do Planalto. A permanência de Brandão é vista como entrave a essa aproximação. O secretário não tem a simpatia dos tucanos locais, dentre os quais o senador Osmar Dias.


