A mídia brasileira se comportou de forma exemplar durante o governo Lula e, com raras exceções, apenas cumpriu o papel dar publicidade a fatos ''que surpreenderam o país''. A teoria da conspiração, segundo a qual o PT é vítima da elite econômica do país, não passa de estratégia política para reforçar a identificação da população mais carente com um presidente que ''começou por baixo e ultrapassou as barreiras sociais''. A visão ácida da primeira gestão petista na Presidência da República foi transmitida pelo geógrafo, jornalista e colunista da ''Folha de S.Paulo'', Demétrio Magnoli. O autor fez palestra sobre a ''Política e Meios de Comunicação'', esta semana em Londrina, dentro do ciclo de estudos políticos do Colégio Ateneu/Instituto Ágora.
''A mídia não é uma entidade única, é composta por muitas vozes e muitos órgãos. O governo considera uma boa estratégia se comportar como vítima, mas, salvo exceções, a cobertura foi muito boa no governo Lula'', disse durante entrevista à imprensa local. De acordo com ele, se houve uma falha da mídia, foi não ter percebido a ''existência'' do mensalão antes do ''racha interno'' que detonou o escândalo. ''Sem a denúncia do (ex-deputado federal) Roberto Jefferson, talvez não tivesse acontecido nada.''
Dentre os poucos órgãos resvalaram para o trabalho ''panfletário'', segundo Demétrio, estão as revistas Veja, classificada por ele como ''irresponsável'', e Carta Capital, citada como ''porta voz do governo petista''.
Por outro lado, o palestrante identificou a demissão do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, como um momento em que a imprensa teve papel fundamental. ''Ali, a mídia denunciou um crime de Estado. Era o Estado tentando chantagear um cidadão e os exageros foram expostos.''
Demétrio Magnoli também considerou positiva a cobertura jornalística durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso - com exceção das denúncias não comprovadas contra o ex-secretário especial da Presidência, Eduardo Jorge Caldas Pereira. ''Em geral, a mídia foi bem naquela época, menos sobre o Eduardo Jorge. O resultado está vindo hoje com as condenações contra órgãos de imprensa em processos movidos pelo ex-secretário.''
Para o palestrante, exemplo de bom desempenho jornalístico no período FHC foi a denúncia de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição. ''As coisas não mudaram porque a imprensa não consegue substituir o Estado. Mas a mídia cumpriu seu papel e todo mundo ficou sabendo o que aconteceu.''
Mesmo com a falta de providências judiciais contra autoridades envolvidas em escândalos de corrupção, o colunista convocou a população a não se deixar levar pelo desencanto durante o período de campanha.

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