Curitiba - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná, José Lúcio Glomb, avalia que restringir a atuação do CNJ pode significar uma ''grande perda'' para o Judiciário brasileiro. ''Defendo que o CNJ possa atuar como vem atuando, pois vem prestando um serviço muito relevante ao Poder Judiciário. A Justiça brasileira melhorou bastante depois do CNJ. Como vamos inibir essa atuação? É um retrocesso que não gostaríamos de buscar'', opina ele, em entrevista à FOLHA.
E, diferente do que declarou o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, Glomb avalia que os tribunais estaduais não podem fazer as investigações dos seus próprios juízes. ''Raramente os tribunais buscavam uma apuração eficiente nisso. O CNJ já condenou 49 magistrados que sofreram alguma espécie de punição, o que nem era imaginado antes'', compara Glomb.
A resistência de parte dos magistrados com a atuação de um órgão atuante de fiscalização é natural e deve ser vencida, na avaliação do presidente da OAB. ''Há uma tendência natural de proteção na magistratura. Declarações como a da ministra Eliana Calmon - que sustenta a existência de magistrados que cometem irregularidades - são exceção. O ideal é buscar um equilíbrio nessa atuação do CNJ, o que é também o que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve buscar na votação sobre o tema'', acredita.
Glomb cita ainda o caso do TJ paranaense - onde o CNJ fez uma inspeção e detectou mais de 100 irregularidades - como exemplo de como a atuação do CNJ é importante e tem dado resultado. ''Houve nitidamente uma melhoria no TJ, com instalação de novas varas. E na medida do possível o tribunal tem buscado se adequar, não podemos desprezar isso. Os tribunais tiveram uma sacudida com o CNJ e claro que isso pode não agradar algumas pessoas'', responde.

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