Magistrados e economistas cobram mais investimentos
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sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Magistrados e economistas brasileiros cobraram ontem, em Curitiba, iniciativas governamentais para impulsionar o crescimento econômico do Brasil. Eles querem que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicie modificações importantes na gestão dos gastos públicos, reduza a carga tributária e efetive uma nova reforma previdenciária. Desta forma, o Brasil poderia voltar a ter uma taxa de investimento de 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, a taxa é de 17%. ''A recuperação do investimento passa por dois grandes caminhos: recuperação do investimento da iniciativa privada com a redução da tributação que hoje é excessiva e sufocante; e reduzir o gasto corrente. É necessária uma engenharia política para que o País volte a crescer'', analisou ontem o economista Raul Veloso, especialista em contas públicas. Ele foi um dos palestrantes ontem do 19º Congresso Brasileiro de Magistrados, que começou no dia 15, em Curitiba.
Veloso lembrou que Lula foi consagrado nas urnas para fazer mudanças. O pacote fiscal anunciado recentemente pelo governo federal, segundo o economista, é apenas ''um pequeno embrulho''. A solução teria que ser costurada internamente com especialistas. ''O pacote significa um interesse de fazer algo para mudar o quadro atual. Mas é muito mais interesse do que medidas realmente. Temos que mudar algo já. O Brasil é um dos países com maiores gastos públicos e com taxas altas de tributação. Isso é comum nos países desenvolvidos, que não tem pobreza. O Brasil é campeão de futebol e de gastos. Temos que reduzir a carga e reduzir os gastos para que o País tenha uma política mais adequada, com maior eficiência. O lema tem que ser fazer mais, gastando menos'', ponderou.
A reforma da previdência seria fundamental, de acordo com ele, para alavancar o crescimento nacional. O ideal seria cortar privilégios dos servidores públicos que recebem mais e que, portanto, exigem mais da previdência no momento da aposentadoria. ''A questão se resolve com uma reforma e não com choque de gestão. Para isto, tem que haver aprovação do Congresso Nacional. O governo sabe que precisará de apoios e esse é o momento em que ele tenta costurar os apoios. A partir do ano que vem, as mudanças têm que ser implementadas.'' Veloso não criticou a permanência dos ministros da base econômica de Lula nos próximos quatro anos. Para ele, a indicação reflete apenas que a política econômica de combate a inflação ficará inalterada.


