Magistrado contesta relator da ONU
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terça-feira, 26 de outubro de 2004
Mariângela Gallucci<br>Agência Estado 
Brasília - O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Claudio Baldino Maciel, disse ontem que são ''inverídicas'' as afirmações do relator especial da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Leandro Despouy, de que ''em muitas cidades do interior a ligação de juízes com setores que detêm o poder político e econômico acaba por afetar a independência do Judiciário e explica o alto nível de impunidade''.
Despouy chegou a essa conclusão depois de passar 12 dias no Brasil analisando o Poder Judiciário. Em março, ele deverá apresentar à ONU o resultado do trabalho. Mas, segundo o presidente da AMB, as declarações ''são fruto de uma generalização indevida e irresponsável''.
''Como o relator não conhece a fundo as diferentes realidades do interior de um país de dimensões continentais como o Brasil, sua equivocada conclusão neste aspecto só se justifica por informações distorcidas'', afirmou Maciel em nota divulgada hoje.
O presidente da AMB observou ainda que índices de impunidade concentram-se principalmente nos grandes centros. Entre os motivos para esse quadro, Maciel citou a realidade sócio-econômica do País, o crime organizado e a falência do sistema prisional.


