O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL) disse ontem que tem absoluta certeza de que o presidente Fernando Henrique Cardoso precisa do PFL, ao discordar das declarações do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, à Revista Veja. Motta afirmou que ‘‘retrospectivamente, dá para perceber que a aliança não era necessária porque Fernando Henrique seria eleito de qualquer maneira’’, numa referência à aliança entre o PSDB e o PFL, para garantir os votos do interior e no Nordeste do País.
‘‘Não concordo com grande parte do que o ministro Sérgio Motta disse’’, comentou Antônio Carlos Magalhães. ‘‘O presidente sabe que precisa do PFL’’, resumiu o senador, que esteve no Rio, participando das comemorações pelo centenário da Academia Brasileira de Letras, cerimônia que começou na noite de sábado com um jantar na residência do acadêmico e presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho. No encontro estiveram presentes o presidente Fernando Henrique, o ministro Sérgio Motta e várias autoridades, entre as quais o presidente da Câmara Michel Temer (PMDB), partido do qual fazem parte os ministros da Justiça, Íris Rezende, e dos Transportes, Elizeu Padilha. Na entrevista à Veja, Motta diz que o PMDB dá menos votos para o Governo e considera ‘‘uma decepção os dois ministros peemedebistas.
‘‘As declarações do ministro Sérgio Motta são um problema exclusivo do presidente’’, disse o senador, lembrando que pela manhã esteve com o ministro das Comunicações, ‘‘mas ainda não tinha tomado conhecimento do que ele havia dito à Revista Veja’’.
Embora tenha se recusado a fazer maiores comentários sobre a entrevista do ministro, Antônio Carlos Magalhães considerou que as declarações não foram oportunas principalmente no momento em que o País vive dificuldades, sobretudo com a crise nos Estados, envolvidos com greve dos funcionários públicos. ‘‘Por esta razão não quero fazer maiores comentários’’, disse o senador. ‘‘Mas volto a dizer que não concordo com grande parte do que foi dito na entrevista’’.
Antônio Carlos Magalhães teve ontem à tarde, no Hotel Ceasar Park, onde ficou hospedado, um encontro com o presidente do PFL, Jorge Bornhausen. Os dois teriam conversado sobre as declarações do ministro Sérgio Motta à Revista Veja, segundo assessores do Senado.

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