O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem que não vê sentido em instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para apurar uma denúncia que a própria oposição considera falsa. Segundo ele, a iniciativa só teria sentido se o PT e demais adversários do governo constatassem a veracidade dos documentos sobre a existência no paraíso fiscal das Ilhas Cayman de uma empresa pertencente ao presidente Fernando Henrique Cardoso, ao governador de São Paulo, Mário Covas, ao ministro da Saúde, José Serra, e ao ex-ministro das Comunicações, Sérgio Motta. ‘‘Se a oposição acha que é falso, somos nós do governo que vamos abrir a CPI?, perguntou.
ACM disse que o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, considerou os documentos falsos, após consultar o advogado Márcio Thomaz Bastos. ‘‘Lula disse com muita propriedade que os documentos são falsos, depois de ouvir um advogado ilustre do País’’, alegou. Para o senador, os parlamentares não podem perder tempo ‘‘com uma coisa que certamente não existe e deixar de votar coisas importantes como é o ajuste fiscal’’. ‘‘A oposição, nesse caso, é a melhor aliada do governo’’, observou.
Segundo ele, nem mesmo a informação de que o ex-ministro Sérgio Motta, falecido em abril, manteria uma conta no exterior altera seu entendimento porque o fato não pode ser visto como um indício de que há algo errado por trás. ‘‘Não é nada demais que uma firma tenha uma filial no exterior’’, frisou. ‘‘Isso nada tem a ver com esses documentos supostamente verdadeiros, porque são falsos, que estão sendo apresentados’’.
ACM argumentou ainda que a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso, de repassar os documentos para uma investigação independente no Ministério Público e na Polícia Federal, é outro ponto que deve ser levado em consideração, ao se avaliar a possibilidade de criar uma CPI para investigar o assunto.

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