Maceió
O mafioso Pedro Domenico Verde, 55 anos, preso quinta-feira pela Polícia Federal de Alagoas, negou ontem qualquer ligação com o empresário Paulo Cesar Farias, encontrado morto ao lado da namorada Suzana Marcolino, em 23 de junho do ano passado. ‘‘Não o conhecia. Gostaria de conhecê-lo’’, afirmou Verde. O italiano nega também que seja membro da máfia e diz que os processos contra ele na Itália foram arquivados por falta de provas.
Segundo o superintendente da Polícia Federal, Bergson Toledo, o italiano permanece preso em uma das celas da PF em Maceió, aguardando que a Justiça Federal analise se pedido de extradição, solicitado pelo governo da Itália. Toledo disse que não tinha conhecimento da suposta ligação de Domenico Verde com PC Farias ou com a máfia siciliana. ‘‘Essas notícias surgiram em Brasília, mas até agora, não foram confirmadas pelo Departamento de Polícia Federal’’, garantiu o delegado, acrescentando que quando o italiano prestou depoimento não foi questionado se ele conhecia PC.
Segundo o delegado da PF, o mafioso tinha uma rotina muito discreta em Maceió, onde reside no bairro da Jatiúca, desde janeiro de 96. ‘‘A rotina dele era de casa para a obra e da obra para casa’’, afirmou Toledo, referindo-se a uma mansão que o mafioso está construindo na praia de Guaxuma, a poucos metros da casa de praia de PC Farias.
O engenheiro da obra, Petracas Calheiros Correia de Melo, disse que era o único amigo que o italiano tinha em Maceió. Para ele, Domenico Verde sempre foi uma pessoa correta. ‘‘Não conheço nada que desabone a sua conduta’’, disse. Segundo o engenheiro, Domenico Verde contou que só foi preso na Itália porque mandou dinheiro para pagar um amigo no Brasil, que lhe emprestou dinheiro para a compra de um apartamento.
Petracas disse que quando conheceu o italiano, em fevereiro de 96, foi com ele à Polícia Federal para renovar seu visto de permanência no Brasil. No início deste ano, acompanhou o amigo até a Justiça Federal, onde o italiano recebeu o documento de naturalidade e depois conseguiu carteira de identidade na Secretaria de Segurança Pública de Alagoas.
‘‘Na identidade dele, os dados sobre sua filiação e nascimento são iguais aos que constam na carteira de estangeiro’’, garantiu o engenheiro, que frequentava a casa do italiano e nunca imaginou que estivesse sendo procurado como mafioso.
Segundo a PF, foi a Interpol que recomendou a sua prisão. O delegado da PF disse que o mafioso vinha sendo seguido há três meses, mas só pode prendê-lo após receber autorização do ministro Mauricio Correia, do STF. Durante esse tempo em que esteve sendo seguido, a PF pode constatar que o mafioso não tinha amigos.

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