Sem citar nomes, o vice-presidente Marco Maciel e o senador e presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, reafirmaram ontem, em Curitiba, que o partido pode ter candidato próprio para a eleição presidencial em 2002. ‘‘Todo partido tem esse projeto e o PFL não é diferente. Inclusive, essa é uma diretriz adotada na convenção que realizamos em 1999’’, afirmou Maciel.
Em seguida, o vice-presidente tentou minimizar a declaração: ‘‘Temos bons quadros, mas não é o momento de falar agora nas eleições presidenciais e sim nas eleições municipais.’’ Bornhausen também preferiu adotar um discurso mais ameno. ‘‘Nós estamos nos preparando para isso (lançar o candidato próprio). Um partido político se organiza para chegar ao poder’’, afirmou.
O senador concordou com Maciel ao afirmar que é preciso respeitar a ‘‘cronologia’’ da política nacional. ‘‘Na minha agenda ainda estamos na eleição municipal’’, observou. ‘‘Eu só vou chegar na eleição de presidente depois da eleição da mesa da Câmara e do Senado. Também há o ditado que diz que o apressado come cru, e eu não quero entrar nessa.’’
Na opinião de Bornhausen, os resultados da eleição municipal não devem ser contabilizados como o principal quesito para a formação de alianças visando as eleições de 2002. ‘‘A eleição municipal é peculiar, gira em torno dos problemas locais. Então ela não tem nenhum significado imediato, mas serve para os partidos políticos apreciarem os maiores problemas e para a preparação das eleições federais e estaduais.’’
Maciel e Bornahausen estiveram em Curitiba ontem para participar da segunda aula nacional de gestores públicos do partido. A teleconferência foi transmitida de capital paranaense para 178 localidades de todo o País, onde estavam reunidos candidatos a prefeito e vereador do PFL. O encontro também contou com a participação do ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, do governador do Paraná, Jaime Lerner, além de vários deputados estaduais, federais, prefeitos e secretários do governo paranaense.
O vice-presidente destacou a importância de eventos como esse. ‘‘Eleições são fundamentais para o exercício da cidadania e também para que nós possamos fortalecer as estruturas municipais’’, afirmou. ‘‘Porque não é possível pensar em desenvolvimento político do País sem que nós tenhamos as bases municipais adequadamente organizadas, estruturadas e prefeitos e vereadores habilitados ao bom exercício das suas funções.’’
Bornhausen afirmou que a realização das aulas – a próxima acontecerá no dia 25 de setembro em local ainda a ser definido – é um exemplo de como o PFL ‘‘trata com igualdade’’ todos os seus candidatos. ‘‘É isso que estamos fazendo, qualificando nossos candidatos, preparando-os para a disputa e, depois, vamos fazer o curso de gestão para os eleitos.’’
Baseando-se em informações que considera ‘‘favoráveis’’ aos candidatos do partido, Bornhausen estima que o PFL possa aumentar sua bancada nas Câmaras de Vereadores e o número de prefeitos eleitos no Brasil. ‘‘Temos hoje cerca de 1.110 prefeitos e 17 mil vereadores. Evidentemente que ninguém pode fazer um cálculo exato ou preciso de quantos candidatos poderemos eleger. Mas temos uma meta, que é crescer 20%.’’

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