Maciel exonera Buffara do Indesp
Agência Estado
De Brasília
O presidente interino Marco Maciel assinou ontem o ato de exoneração do diretor administrativo e de fiscalização do Instituto Nacional do Desporto (Indesp), Luiz Antônio Buffara, acusado de cobrar propina para autorizar o funcionamento de bingos.
Buffara havia solicitado sua exoneração em 26 de outubro passado, depois de ter sido acusado por três servidores do Indesp de integrar um esquema que transformou o órgão em um balcão de negócios para atender clientes especiais.
O decreto com a exoneração de Buffara, homem de confiança do ministro do Esporte e Turismo Rafael Greca, deve ser publicado no Diário Oficial da União nos próximos dias.
Os funcionários que acusaram Greca afirmaram, em depoimento ao Ministério Público Federal, que haveria um atendimento prioritário a parlamentares no Indesp. Um dos funcionários também disse que haveria um esquema para facilitar o funcionamento de máquinas eletrônicas de bingo no país. Na ocasião, Greca defendeu Buffara e disse que não pretendia demiti-lo.
O escândalo envolvendo o ministério do esporte e especificamente os bingos eletrônicos ganhou repercussão nacional a partir do depoimento do ex-presidente do Indesp, Manoel Tubino, no final de outubro, à Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS). Na ocasião Tubino disse que funcionários do órgão estariam favorecendo a máfia italiana, concedendo licenças para funcionamento dos bingos.
Até o depoimento de Tubino, o maior acusado pelas irregularidades era o diretor de Administração e Finanças do Indesp, Luiz Antônio Buffara de Freitas, que, alegando estar doente e internado em Curitiba, com esclerose múltipla pediu exoneração do cargo. Buffara foi convocado pela Comissão de Assuntos Sociais, mas mandou um ofício propondo uma nova data para ser ouvido.
Ainda em seu depoimento à CAS, o ex-presidente do Indesp citou cinco pontos, que segundo ele, seriam vitais na estruturação da máfia dos bingos no Brasil: a Sociedade Administradora dos Bingos; os laboratórios que fornecem laudos técnicos para aprovação das máquinas de jogo; o próprio ministro Rafael Greca; o ex-diretor Luiz Antônio Buffara; e o advogado do Indesp Paulo Araújo.
Segundo Tubino informou à comissão, o interesse deles era manter o monopólio dos laboratórios de aferimento de máquinas instaladas em bingos.





