Machismo restringe participação de mulheres na política
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sábado, 28 de maio de 2016
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Com apenas 64 mulheres no Congresso atualmente em um total de 594 vagas, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal o Brasil ocupa a 158ª posição entre 188 países pesquisados pela União Interparlamentar (IPU, na sigla em inglês). O resultado do levantamento, feito após as últimas eleições gerais, em 2014, está publicado no portal do Senado na internet, em livreto dedicado a aprofundar o tema e a motivar a presença feminina na cena política nacional.
Historicamente, essa participação é bastante reduzida, embora venha apresentando discreto crescimento nos pleitos realizados nos últimos 30 anos. Para o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas, Reinaldo Dias, doutor em Ciências Sociais, o machismo é o principal empecilho para a reversão dos números em favor das candidatas. "A sociedade brasileira é machista e não é apenas entre os mais idosos, pois ele é forte também entre os jovens", disse o professor, negando, por outro lado, ter havido resquícios desse machismo no processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), a primeira mulher eleita para o cargo. "Não foi machismo nesse caso, foi a má gestão dela, são números, não é subjetivo. Mulher tem defeitos, como os homens também têm."
Diante dos números, desde o dia 1º de abril, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investe na veiculação da campanha "Igualdade na Política", em emissoras de rádio e TV, com o objetivo de incentivar as mulheres. A campanha destaca que a Lei das Eleições também assegura a reserva de 30% do número de candidaturas para elas em cada partido político ou coligação. Os ministros do TSE onde são três mulheres entre os 13 integrantes, considerando efetivos e substitutos têm se empenhado em tratar do assunto e prometem punição aos partidos que não cumprirem a lei.
No entanto, segundo Dias, a imposição via decretos e leis não é suficiente para garantir que as mulheres tenham espaço no debate político. "Os partidos estão sob o comando de homens e na hora de selecionar as mulheres para preencher os espaços nos partidos eles querem aquelas que têm característica de gênero, dóceis e não impositivas, com opinião formada. Além do machismo, tem a discriminação nesse meio."
O professor citou, ainda, a criação do Partido da Mulher Brasileira (PMB), o 35º do país a ser registrado pela Justiça Eleitoral, como um caso negativo neste contexto predominantemente masculino. Na janela partidária do mês de abril, o PMB recebeu em suas fileiras dezenas de parlamentares homens. "É um exemplo gritante da discriminação. Foi criado como todos os outros partidos de aluguel, mas acho que não tinham outro nome, aí colocaram da Mulher Brasileira, onde há predominância de homens."
Em menos de seis meses, os brasileiros vão voltar às urnas para a eleições municipais. Com a mudança do calendário oficial, os partidos e as coligações têm até o dia 5 de agosto para definirem os nomes que vão para a disputa. Apesar de ver o pleito como uma oportunidade interessante para as mulheres, Reinaldo Dias afirmou que o aumento no número de candidatas na política somente virá com mudanças sociais, especialmente no mercado de trabalho, a médio prazo. "O país vai ter que partir para terceira e quarta revoluções industriais, onde se exigirá a alta flexibilidade e maior capacidade de diálogo do trabalhador no ambiente profissional, características que dão ampla vantagem às mulheres. Vai aumentar muito, portanto, a participação da mulher no trabalho e, consequentemente, na política", analisa Dias.


