Má vontade do PMDB ameaça votação da semana que vem
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quinta-feira, 01 de maio de 1997
Agência Estado 
BRASíLIA - O governo terá de enfrentar a má vontade dos peemedebistas na votação dos 14 destaques e das 40 emendas ao projeto de reforma administrativa prevista para a próxima semana. Apesar da disposição dos governistas de concluir o primeiro turno da reforma nos dias 6 e 7, tanto os peemedebistas do grupo dos contra como representantes da cúpula afinada com o Palácio do Planalto concordam que será difícil reverter o clima desfavorável ao governo.
Não vejo nenhuma saída porque o partido está muito dividido e o Planalto age para aprofundar o racha, avaliou o deputado João Almeida (PMDB-BA). Toda a base política do governo está inquieta e esgarçada, reconheceu o relator da reforma, deputado Moreira Franco (PMDB-RJ). No caso específico do PMDB, os ânimos se acirraram em razão das críticas e cobranças do presidente Fernando Henrique Cardoso, que se queixou da falta de coesão interna no partido. Isso sem falar da demora na definição dos ministros peemedebistas, que Fernando Henrique insiste em deixar para depois de votada e aprovada a reforma administrativa.
Esse processo está demorando demais e criando muitos problemas internos, reclamou o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP/foto). A queixa foi feita na quarta-feira, em conversa com os governadores peemedebistas do Rio Grande do Norte, Garibaldi Alves Filho, e da Paraíba, José Maranhão, que foram ao Congresso pedir pressa na votação da reforma administrativa.
Fernando Henrique convocou os nove governadores do PMDB a ajudar o governo na caça aos votos, mas até os peemedebistas mais fiéis ao Planalto duvidam da eficácia desta ajuda. Esses governadores simplesmente não têm bancada, desdenhou um dos representantes do grupo de Michel Temer, indignado com a demora na indicação dos ministros dos Transportes e da Justiça. O único que é dono de bancada e demonstrou isso na votação da reeleição é o ex-governador Iris Resende (PMDB-GO), completou o deputado.
Em conversa com os governadores na noite de terça-feira, Fernando Henrique admitiu que houve uma falha de articulação dos governistas na derrota da semana passada, que ele quer evitar que se repita. O esgarçamento e a falta de liderança do governo no plenário são tão grandes que qualquer polêmica vira uma bomba, concordou o deputado João Almeida, um dos 41 peemedebistas que se rebelaram contra o acordo do teto extra de R$ 21,6 mil e tenta agora negociar mudanças em pontos complicados como a paridade de vencimentos entre ativos e inativos.
De olho na briga do PMDB por espaço no Executivo, os pefelistas acusam a cúpula do PMDB da Câmara de chantagear o presidente para emplacar o deputado Eliseu Padilha (RS) no Ministério dos Transportes.


