Luta social vai crescer, prevê esquerda
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sábado, 05 de dezembro de 1998
Jô Pasquatto Agência Estado 
O Conselho Político da União do Povo Muda Brasil, colegiado oposicionista liderado pelo PT, avaliou ontem em São Paulo como trágica a situação do País e previu para 99 um aguçamento das lutas sociais em 99. Temos que produzir informações políticas e posições políticas para que os partidos de oposição possam intervir nesse processo de crise, disse o coordenador do Conselho, Tarso Genro, ex-prefeito de Porto Alegre (RS).
Não há prazo definido para atingir a meta proposta pelo Conselho. Prazo na história é uma coisa muito artificial, nós queremos é reforçar a oposição, prepará-la para o ano 2000 e torná-la o mais ampla e mais consequente do ponto de vista político e de um projeto econômico para a Nação, disse Genro. Segundo ele, o Conselho não tem a finalidade de estimular manifestações de massa nem tem caráter deliberativo. Será um instrumento de solidariedade dos partidos e da sociedade civil com as mobilizações contra as políticas neoliberais, acrescentou Genro.
Genro admite que o Conselho será uma forma de expressão para a oposição mas nega qualquer semelhança com o gabinete paralelo, criado pelo PT em 89. Não há nenhuma identidade porque o Conselho é uma entidade de representação política mais ampla do que a representação partidária e ao mesmo tempo mais forte do que ela, envolvendo personalidades sem partido que pela sua representatividade são verdadeiras instituições políticas do País, disse.
O Conselho reúne PT, PSB, PDT, PC do B e PCB, partidos que formaram a coligação de apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva e dissidentes do PMDB além de representantes da sociedade civil, artistas e intelectuais. Participaram do encontro 25 dos 42 conselheiros, entre eles Lula, que saiu sem dar entrevista, o presidente nacional do PT José Dirceu, o senador Roberto Requião (PMDB), os deputados Paes de Andrade (PMDB-CE) e Maria da Conceição Tavares (PT-RJ), o presidente nacional do PBC do B João Amazonas, o ex-governador Waldir Pires (PMDB-BA), os empresários Lawrence Pih e Oded Grajew, o ex-secretário da Receita Federal Osires Lopes Filho e o bispo de Caxias do Sul (RS), d. Mauro Morelli.
Três membros do conselho - o escritor Luiz Fernando Veríssimo, o economista Sérgio Furtado e o senador Abdias Nascimento (PDT-RJ) - enviaram a contribuição para o debate, por escrito.
O ex-governador Leonel Brizola (PDT-RJ), candidato a vice na chapa de Lula, e o vice-coordenador do conselho, Óvio Cordeiro, não puderam comparecer ao encontro porque estavam reunidos com o governador eleito do Rio, Anthony Garotinho, para debater questões do governo de transição.
O deputado Paes de Andrade, que esteve no encontro, disse que a importância dessa reunião é consolidar e ampliar a atuação dos partidos de centro-esquerda no País e levar o debate para as ruas, sindicatos e universidades. Segundo Paes, nesse sentido, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), pretende realizar um fórum de debates em Belo Horizonte, reunindo os governadores da oposição para discutir e aprovar uma nova proposta de reforma tributária.
Na opinião de Paes de Andrade, a derrota do governo na votação da medida provisória sobre a Contribuição Previdenciária dos Servidores Públicos aconteceu por falta de sensibilidade. É uma medida desumana e que já havia sido rechaçada quatro vezes anteriormente e o governo, na sua auto-suficiência achou que podia botar até mandacaru goela abaixo dos parlamentares. Agora está amargando a derrota. O governo mordeu o pó da terra, como se diz lá no Ceará, disse Paes.


