Hortolândia - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se queixou publicamente das dificuldades que tem enfrentado para realizar mudanças estruturais no País. Depois de agradecer ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), pela aprovação de leis que permitem a implementação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Lula manifestou ser ''titânica'' a luta promovida pelo governo para reestruturar o País.
''A gente propõe uma reforma da Previdência para daqui a 30 anos e os aposentados de hoje ficam com medo de perder. Propusemos a modernização do Ibama e o pessoal deflagra greve porque acha que vai ter prejuízo para eles'', disse o presidente, de improviso, no discurso proferido durante a inauguração da fábrica da Dell Computadores, em Hortolândia, região de Campinas. ''Nenhum concorrente vai esperar 50 anos o Brasil resolver seus problemas para depois competirmos'', advertiu.
De acordo com o presidente, não depende apenas do governo, mas sim da sociedade aí incluídos os empresários e os movimentos organizados, garantir o processo de modernização do país de forma a assegurar a competitividade brasileira na economia global.
Nesse sentido, Lula destacou que o Brasil está na sétima colocação entre as economias com maior acesso dos cidadãos à tecnologia digital e caberá a outros programas de inclusão digital e acesso às mais modernas tecnologias posicionar o país em terceiro, segundo ou primeiro lugar. O governo, segundo Lula, terá um papel importante de garantir que até 2010, todas as escolas públicas nacionais, inclusive das da zona rural, tenham computadores instalados. ''O computador é hoje como a paixão que o carro representava na década 60. Naquela época, por falta de opções, nosso sonho era um fusquinha pé-de-bode. O sonho da molecada hoje é ter um computador'', argumentou.
Segundo o presidente, a tecnologia digital viabiliza aos jovens o acesso ao conhecimento necessário para a participação no mercado de trabalho, além de significar a possibilidade de terem ''algo o que fazer'', ''até arrumar uma namorada pelo computador'', o que seria segundo o presidente, muito melhor do que se manterem na marginalidade e caírem nas mãos do crime organizado.

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