Lupi diz que só sai do governo ''abatido a bala''
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quarta-feira, 09 de novembro de 2011
Folhapress 
Brasília - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse ontem duvidar de que a presidente Dilma Rousseff o demita da pasta. Durante coletiva de imprensa, o ministro afirmou que, para tirá-lo, ''só abatido a bala''. ''Duvido que a Dilma me tire, ela me conhece muito bem'', disse. ''Para me tirar só abatido a bala - e precisa ser bala forte porque eu sou pesadão'', completou.
Lupi se reuniu com parlamentares da bancada do PDT, seu partido, no Senado e na Câmara. O ministro relatou que recebeu de integrantes do partido pedido para se afastar do ministério, mas que não cogita a possibilidade. ''Não sairei do ministério [...]. Não vou sossegar enquanto este assunto estiver completamente esclarecido'', disse.
Em meio a denúncias de irregularidades na pasta, Lupi disse mais cedo ter recebido da presidente Dilma Rousseff a orientação de continuar trabalhando e se defendendo das acusações.
Reportagem da revista ''Veja'' desta semana afirma que três servidores e ex-servidores do Ministério do Trabalho estavam envolvidos num esquema de cobrança de propinas que revertia recursos para o caixa do PDT, partido de Lupi, que está afastado temporariamente da presidência da sigla por ser ministro.
Um dos assessores citados na reportagem, Anderson dos Santos, foi afastado do cargo no último sábado.
Carta do PDT
O PDT divulgou ontem uma nota de apoio ao ministro do Trabalho. Após reunião que durou mais de três horas, a portas fechadas, foi distribuído um documento pelo partido que afirma que Lupi conta com ''absoluta confiança'' para continuar à frente do Trabalho. Lupi afirmou que o documento só foi redigido ontem porque o PDT queria ouvir suas explicações antes de se posicionar.
Investigação na PGR
Por outro lado, parlamentares do PDT protocolaram ontem na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedido para que seja investigada denúncia de irregularidades no Ministério do Trabalho. O deputado federal Reguffe (PDT), que assina o pedido, defendeu o afastamento de Lupi. ''Essa é uma decisão dele, mas penso que seria inteligente ele agir assim.''
Mas, ontem, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que ainda não existem elementos que indiquem a participação do ministro Carlos Lupi em irregularidades supostamente praticadas na pasta. ''Por enquanto, os elementos dizem respeito a irregularidades em programas do Ministério do Trabalho, mas não apontam, pelo menos neste primeiro momento, o envolvimento direto do ministro'', afirmou Gurgel.


