Lula volta a se comparar a Juscelino Kubitschek
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sexta-feira, 03 de março de 2006
Denise Chrispim Marin<br>Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a explorar a figura do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961). Oportunamente, lembrou-se da origem checa de JK, mostrando-se simpático ao primeiro primeiro-ministro da República Checa, Jiri Paroubek, e apresentando, em seguida, um arrazoado sobre os feitos dos três anos de governo, sobretudo na área econômica. A ocasião escolhida foi o almoço oficial que ofereceu a Paroubek, que iniciou ontem a visita de Estado ao Brasil, no Palácio Itamaraty.
''O Brasil que o sr. visita é muito diferente daquele que recebeu o bisavô do presidente Kubitschek'', ressaltou Lula, no discurso. ''Promovemos o crescimento econômico com Justiça social, o aperfeiçoamento de nosso convívio democrático e a dinamização de nossa política externa'', completou, referindo-se, especificamente, ao próprio mandato.
Ele insistiu que, no plano econômico, a gestão retomou ''o crescimento econômico industrial e agrícola''. Mas omitiu as expansões anuais do Produto Interno Bruto (PIB) na administração - de 2,3%, em 2005, de 4,9%, em 2004, e de 0,5%, em 2003. O primeiro-ministro da República Checa não se fez de rogado. Enfatizou que o processo de transformação econômica do país foi concluído, que a nação se modernizou e multiplicou o potencial desde o ingresso na União Européia (UE), em 2004, e que registra crescimento anual superior a 5 %.
Paroubek, entretanto, mostrou-se receptivo às sugestões de Lula de exploração das vantagens recíprocas pelos dois países. Apesar de o comércio bilateral ter somado US$ 272,6 milhões (R$ 575,19 milhões) em 2005, com apenas US$ 56,8 milhões (R$ 119,85 milhões) em exportações do Brasil, o presidente chamou a atenção para as oportunidades a serem exploradas por empresas brasileiras no mercado checo, tanto em comércio quanto em investimentos, levando-se em conta também a atuação desse país como centro logístico de distribuição de bens e serviços pela Europa Central e do Leste.
Lula lembrou que o Brasil poderia ser, igualmente, uma catapulta para a venda de produtos checos na América Latina. Num tema de especial interesse da diplomacia comercial brasileira, o primeiro-ministro da República Checa afirmou que o país estaria disposto a conceder uma maior abertura na área agrícola para o Mercado Comum do Sul (Mercosul), apesar da resistência da UE na negociação desse tema com o bloco sul-americano.
Em outra tentativa de dobradinha, Lula agradeceu o ''co-patrocínio'' do governo de Paroubek à proposta de reforma do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) apresentada pelo Brasil, Índia e Alemanha em janeiro.


