Brasília - O Palácio do Planalto convocou os 27 governadores para discutir hoje a questão social na Residência Oficial do Torto, mas vai aproveitar para uma negociação casada das reformas tributária e previdenciária no Senado. A idéia do governo é conseguir o apoio dos governadores para brecar qualquer mudança radical no texto da reforma previdenciária que comprometa o ajuste fiscal. ''Queremos consultar os governadores para construir com eles eventuais modificações no texto da Previdência Social, aprovado na Câmara,'' diz o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).
Ao mesmo tempo, o Planalto também precisa dos governadores para desmontar qualquer obstrução dos senadores na reforma tributária. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a líderes governistas e de partidos aliados empenho máximo na costura de um acordo com os estados para que a reforma tributária desonere a cesta básica, as exportações e a produção. O Planalto avalia que um impasse na reforma tributária, forçando os governistas a aprovarem este ano apenas a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e da Desvinculação de Receitas da União (DRU), seria uma desmoralização para o governo e um desgaste desnecessário à imagem do presidente perante a opinião pública.
Mercadante admite que há uma ''certa tensão'' nas mudanças que a Câmara aprovou em relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). ''Criou-se uma turbulência grande porque 11 estados perdem receita. Ou voltamos ao texto original, ou acomodamos as tensões'', diz, diante da mobilização dos governadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste que acusam a Câmara de ter aprovado uma proposta que beneficia os estados mais ricos do Sul e Sudeste.
Decididos a agir em bloco para ganhar força nas negociações, os executivos das três regiões criaram o G-20 e programaram uma reunião prévia ontem à noite em Brasília, para afinar o discurso. Como uma das premissas do governo federal na negociação das mudanças no sistema tributário é a de pôr fim à guerra fiscal, os governadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste encarregaram seus secretários de Fazenda de buscar uma solução.
Foi com este objetivo que eles passaram o dia todo reunidos em Brasília, ontem, fechando o texto de uma proposta de consenso para resolver a questão dos incentivos fiscais considerados imprescindíveis ao desenvolvimento da região. Segundo o secretário de Fazenda do Pará, Paulo Machado, a proposta consensual foi a de se criar um fundo orçamentário para custear o incentivo à instalação de indústrias em cada Estado.

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