Lula volta a cobrar recursos para a saúde
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terça-feira, 10 de junho de 2008
Silvia Amorim e Clarissa Oliveira<BR>Agência Estado 
São Paulo - No mesmo dia em que a tropa de choque do governo preparava a terceira ofensiva para aprovar a Contribuição Social para a Saúde (CSS) - a nova Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se antecipou a qualquer resultado e disse ser ''uma questão de tempo'' encontrar novos recursos para a saúde.
A Câmara dos Deputados realizou ontem, no início da noite, uma sessão extraordinária para votar o substitutivo ao projeto de Lei Complementar 306/08, que regulamenta os gastos com saúde de acordo com os parâmetros da Emenda Constitucional 29 (EC 29). Após várias manobras da oposição, a votação não havia sido concluída até o fechamento desta edição.
O presidente, que participou ontem de um evento do Ministério da Saúde em São Paulo, voltou a criticar o fim do imposto do cheque. Ele não mencionou uma única vez a CSS, mas fez questão de ressaltar que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a área da saúde, chamado por ele de ''a revolução da saúde brasileira'', só terá futuro se houver nova fonte de recursos. ''É uma questão de tempo. Nós vamos encontrar um jeito de fazer com que funcione'', disse.
Lula questionou o discurso da oposição, que obstrui há duas semanas a votação do novo tributo na Câmara. E voltou a cobrar dos que trabalharam pela extinção da CPMF o cumprimento da promessa de redução da carga tributária. ''Talvez o mais bem elaborado programa de saúde para este País deixou de ser implantado porque alguns resolveram dizer que ia diminuir a carga tributária reduzindo a CPMF. Eu, até agora, não vi um único produto que reduziu 0,38% no custo para o consumidor'', ironizou.
Ele aproveitou a presença do ex-ministro da Saúde Adib Jatene entre os convidados na platéia para criticar, de forma indireta, os senadores que votaram contra a manutenção da CPMF. ''Estou vendo o dr. Jatene aqui. E, dentre outras coisas, tem a minha admiração o Jatene pelo discurso que ele fez lá em Brasília defendendo a manutenção da CPMF, que, lamentavelmente, Jatene, não mexeu nos neurônios, na sensibilidade de alguns senadores.''
O presidente foi à capital paulista para entregar medalhas do mérito Oswaldo Cruz concedidas pelo ministério ao cardiologista Roberto Kalil, que cuida de sua saúde e de outras autoridades, e ao empresário Antônio Ermírio de Moraes, representado pelo filho Rubens Ermírio de Moraes.
Mais tarde, na abertura da feira Hospitalar 2008, também em São Paulo, o presidente jogou no colo dos senadores qualquer dificuldade em levar adiante o PAC da Saúde. ''A proposta de elaborar um bom plano de saúde desses não é uma vontade do ministro da Saúde. É uma exigência da sociedade.''


