Lula visita Curitiba e enfrenta protesto
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à fábrica de chocolates Kraft Foods, em Curitiba, ontem, foi marcada por um protesto de servidores e professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Cerca de 60 manifestantes se concentraram no portão principal da fábrica e dispararam palavras e frases de ordem contra o presidente e contra os políticos petistas que votaram a favor da reforma previdenciária.
O presidente, que chegou com mais de duas horas de atraso, passou rapidamente pelo protesto e pouco pode perceber da manifestação, segundo seu assessor de imprensa Ricardo Kotcho. O atraso de Lula foi decorrente do atraso na entrega do texto do Plano Plurianual (PPA), pelas entidades da sociedade civil que participaram de sua elaboração. O PPA que define as obras para o País nos próximos quatro anos será encaminhado ao Congresso até o final de agosto.
Lula esteve em Curitiba a convite da empresa de alimentos Kraft Foods, que inaugurou um dos maiores complexos de produção de alimentos do Brasil. Foi recebido pelo presidente da empresa, Gustavo Abelenda, que comunicou a doação de 2 milhões de quilos de alimentos para o programa Fome Zero até o final de 2006. Em função dessa doação, a empresa recebeu o certificado de parceira do Fome Zero, que lhe dá o direito de exibir a logomarca do programa federal.
Lula estava acompanhado de dona Marisa e dos ministros da Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano da Silva; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan; e da Agricultura, Roberto Rodrigues. Após uma cerimônia rápida, que contou com a presença do governador Roberto Requião (PMDB), o presidente foi direto para o Paraguai, onde participa hoje da posse do novo presidente do Paraguai, Nicanor Duarte.
O presidente ressaltou seu compromisso de enviar um PPA que não seja peça de ficção e que as obras previstas tenham o aval do Ministério Público e do Ministério do Meio Ambiente, para que não venham a sofrer futuros embargos. Segundo ele, os governos anteriores contratavam grandes consultorias que elaboravam grandes projetos e como resultado para o País ficaram obras inacabadas há cerca de 18 anos, em função de impugnações do Ministério Público e de órgãos ambientalistas.
Para o presidente, o PPA é um pacto de interesses, onde as entidades organizadas da sociedade civil deram as sugestões sobre os investimentos que devem ser prioritários. Ele mostrou que está apostando nas iniciativas das empresas privadas par alavancar o crescimento do Brasil. Ele citou os investimentos da Kraft Foods no Paraná, de mais de US$ 120 milhões na instalação e expansão da fábrica, que já gerou 4 mil empregos e possivelmente mais mil empregos até o final do ano.
Lula ressaltou o prazer que teve em visitar uma fábrica do nível da Kraft, onde ele pode constatar a ''cara prazeirosa dos trabalhadores, que certamente encontram no local de trabalho um ambiente melhor que em suas casas''. ''Só uma fábrica, cujas com condições humanitárias permitiria isso'', justificou. O presidente ressaltou ainda a higiene e a limpeza do ambiente que ele gostaria que esse exemplo se repetisse em todo o Brasil.


