Brasília - Ao divulgar nota em que reconhece o direito
‘‘soberano’’ da Bolívia de nacionalizar suas riquezas, sem tecer nenhuma crítica à decisão boliviana, o governo brasileiro informou que o presidente Evo Morales, em conversa telefônica com seu colega Luiz Inácio Lula da Silva, garantiu o abastecimento de gás natural ao Brasil. Segundo o texto, o preço do gás terá que ser negociado entre os dois países. Os presidentes Lula, Morales, Hugo Chávez (Venezuela) e Néstor Kirchner (Argentina, também cliente do gás boliviano), se encontrarão amanhã em Foz do Iguaçu para discutir a segurança energética da região.
  Lula se reuniu ontem por cerca de cinco horas com oito ministros, além do presidente da Petrobras e do vice-presidente, para tratar da questão da Bolívia. Após a reunião, a postura do governo era de evitar o confronto com o país vizinho. Anteontem, no entanto, o ministro Silas Rondeau (Minas e Energia) havia falado em
‘‘rompimento’’ e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, em ‘‘reações fortes’’ do Brasil. A nota diz que o abastecimento de gás estava garantido ‘‘pela vontade política de ambos os países, conforme reiterou o presidente Evo Morales em conversa telefônica com o presidente Lula’’ e por ‘‘dispositivos contratuais amparados no Direito Internacional’’.
  Antes da conversa com Morales, Gabrielli já havia dito a Lula que a nacionalização anunciada anteontem não causará problemas no fornecimento de gás.
  O decreto assinado por Morales determina que toda a produção seja vendida para a estatal boliviana do setor (YPFB), aumenta o imposto sobre o gás de 50% para 82% e impõe prazo de 180 dias para que as empresas estrangeiras que operam na Bolívia decidam se aceitam as novas regras ou deixam o país. Singer disse ainda que, ontem à tarde, Lula faria ‘‘consultas’’ a outros líderes, como Kirchner, Chávez, Morales e a presidente do Chile, Michelle Bachelet.
  O Brasil consome cerca de 32 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Desse total, 26 milhões (81%) vêm da Bolívia. Dentro do Brasil, as distribuidoras, que vendem gás para os consumidores, consomem 25,2 milhões de metros cúbicos por dia, as termelétricas consumem 6,3 milhões de metros cúbicos por dia e as refinarias da Petrobras, 4,5 milhões de metros cúbicos por dia.

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