Lula vai viajar mais em 2005
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domingo, 26 de dezembro de 2004
Por Denise Chrispim Marin<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra no seu terceiro ano de mandato com uma extensa agenda de viagens internacionais, do vizinho Uruguai ao Japão. Lula vai se ausentar do País pelo menos 13 vezes, sendo a primeira já no mês que vem, quando vai a Davos participar do Fórum Econômico Mundial. O número de destinos pode aumentar ainda mais, se confirmada a ida à África. Os destinos no continente, provavelmente, serão Senegal, Nigéria e Tunísia.
De maneira geral, o objetivo da diplomacia brasileira é reforçar a aliança entre as economias em desenvolvimento - a estratégia Sul-Sul - e explorar as ambições de liderança na América Latina e de um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Como missão prática, o presidente continuará a conduzir a propaganda do País como destino seguro para os investimentos estrangeiros no setor produtivo.
O grande desafio para Lula será a reunião de cúpula da América do Sul e do mundo árabe, nos dias 10 e 11 de maio. O interesse do Brasil está concentrado na atração de investimentos dos países com elevado volume de reservas internacionais do Oriente Médio e da África do Norte nos projetos de integração física e energética sul-americana e no aumento do magro comércio entre os países envolvidos.
O evento deverá ser precedido por um exame da efetividade da recém-criada Comunidade Sul-Americana de Nações, cujos presidentes tenderão a se reunir previamente ao encontro com os líderes árabes. Construída sob a liderança e a insistência do Brasil, a comunidade é um projeto de integração e de aliança estratégica que teve o seu lançamento, no início de dezembro, marcado pela ausência de quatro dos 12 chefes de Estado envolvidos.
A programação de Lula no exterior começará em Davos. Paralelamente, está em montagem um encontro com cerca de 150 presidentes de grandes corporações empresariais - todos potenciais investidores no País.
No primeiro semestre, Lula viajará ainda ao Japão e à Coréia do Sul, como retribuição às visitas do primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizume, e do presidente coreano, Roh Moo-Hyun. Esse roteiro terá igualmente um forte objetivo de atrair investimentos e motivar o comércio.
O Palácio do Planalto espera, ainda, um convite para Lula participar da reunião de cúpula do G-8 - o grupo das sete maiores economias do mundo, mais a Rússia -, como observador. O encontro deverá ocorrer na Escócia, em junho, sob o comando britânico. Até o momento, no entanto, o convite não chegou.
Na terceira semana de fevereiro, o presidente deverá embarcar aos dois únicos países sul-americanos que ainda não visitou - a Guiana e o Suriname. Nesse último país, participará como convidado da reunião de cúpula do Caricom, o bloco dos países caribenhos, com o qual o Mercosul pretende iniciar negociações de redução de tarifas de importação.
Em março, o foco será voltado para o Mercosul. No dia 1º, Lula desembarca em Montevidéu para a posse do novo presidente, Tabaré Vásquez. Na última semana do mês, Vásquez retribuirá a visita. A frágil integração entre os quatro sócios do Mercosul e as possíveis decisões para superá-la levarão o presidente brasileiro às costumeiras reuniões de cúpula do bloco, em Assunção, em junho, e em Montevidéu, em dezembro.
A agenda presidencial prevê que Lula esteja presente às celebrações da data nacional da França, 14 de julho, em Paris, ao lado do presidente Jacques Chirac. A perspectiva inicial é que ele siga para Lisboa, em Portugal, onde se dará a reunião de cúpula da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). No segundo semestre, a perspectiva de ampliação de trocas comerciais será mais uma vez trabalhada com a Rússia, a partir da retribuição de Lula à visita recebida de Vladimir Putin.


