Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai conversar com os partidos da base aliada, para um rearranjo necessário depois da eleição, e da oposição, aos quais pretende pedir uma trégua e apoio para aprovação das pautas de importância para o governo no Congresso. Para o presidente, ''a eleição acabou'' e, portanto, ''a guerra acabou'' e ''é hora de pensar na agenda do Congresso e do País''.
Apesar de derrotas cruciais sofridas pelo PT, a avaliação do Planalto é de que, mesmo em alguns locais em que o PT perdeu, como em Belém, onde Duciomar Costa, do PTB, venceu a petista Ana Júlia, o raciocínio que tem de ser feito é de que o governo, em última instância, ganhou porque o novo prefeito pertence à base aliada.
Amanhã, quando todos os ministros tiverem regressado a Brasília, o presidente Lula vai fazer uma ampla avaliação do resultado das urnas, em reunião de coordenação política, no Palácio do Planalto. A partir daí, ele quer marcar reuniões com todos os partidos políticos para tentar acertar as arestas que surgiram em decorrência das últimas eleições.
A princípio, este encontro deverá ocorrer na segunda-feira da semana que vem, em Brasília. Neste dia, Lula deve chamar para um jantar, em local a ser definido, talvez possa ser até mesmo a Granja do Torto com todos os líderes dos partidos, tanto na Câmara, quanto do Senado e aí estarão incluídos até mesmo os dirigentes dos partidos oposicionistas, como o PFL e o PSDB. No encontro, Lula vai transmitir a eles o que tem dito aos que o procuram desde que as urnas foram abertas e os resultados conhecidos: que com o fim das eleições municipais, a guerra acabou e é hora de pensar no País. Neste encontro, João Paulo (PT-SP) e José Sarney (PMDB-AP) estarão presentes.
Um aceno de boa vontade do governo com a oposição será a forma como os petistas derrotados devem agir em relação aos seus sucessores. Onde os tucanos forem receber prefeitura dos petistas, como é o caso de São Paulo, a idéia do partido é repetir o gesto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que abriu para Lula e sua equipe tudo que foi pedido.
Além de tentar acalmar a oposição, para ver se consegue aprovar os projetos considerados fundamentais para o governo como Parceria Público-Privada (PPP) , lei de falências e aprovação do texto que vai regulamentar as agências reguladoras, Lula terá de digerir a ira do PMDB, o mais rebelde aliado do governo. Parte desse PMDB já prometeu dificultar as coisas para o Planalto, uma vez que está de olho nas eleições de 2006, não, sem antes, tentar aumentar seu espaço na Esplanada dos Ministérios.
Mas, aos que têm tentado falar com o presidente sobre reforma ministerial, Lula tem desconversado, sinalizando que não quer tratar desse tema exatamente agora, já que pretende mobilizar o Congresso para aprovar os textos considerados fundamentais. No entanto, interlocutores do presidente avaliam que Lula fará a reforma mais cedo ou mais tarde, possivelmente depois da posse dos novos prefeitos, quando haverá necessidade de acomodação dos derrotados.

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