O candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa hoje, em Porto Alegre, do primeiro grande comício no Rio Grande do Sul em 1998. Por trás da presença de Lula, há uma estratégia: não perder terreno para o presidente Fernando Henrique Cardoso e manter um reduto petista tido como tradicional.
A última pesquisa realizada pelo Datafolha para a Presidência, divulgada no dia 18 de agosto, indicou uma diminuição de 16 pontos percentuais na vantagem de Lula em relação a FHC no Rio Grande do Sul (passou de 20% para 4%). A consulta anterior com estratificação estadual havia sido realizada entre os dias 8 e 9 de junho.
Os resultados da última pesquisa mostram que, no Estado, Lula tem 39% das intenções de voto, contra 35% de FHC, 3% de Ciro Gomes (PPS), 5% de Enéas Carneiro (Prona) e 1% de João de Deus (PT do B). Na consulta realizada em junho, Lula tinha 46% dos votos gaúchos, contra 26% de FHC. Em nível nacional, ocorria empate técnico (45% para FHC contra 44% de Lula).
Um dia após ter divulgado a última pesquisa para a Presidência, a ‘‘Folha de S.Paulo’’ publicou pesquisa de intenção de voto para o governo do Estado. Britto atingiu 43% da preferência, contra 34% de Olívio Dutra (PT) e 6% de Emília Fernandez (PDT). A vitória do PMDB, sendo confirmados esses números, poderia ocorrer no primeiro turno gaúcho. O PT pretende, com o comício que se iniciará no final da tarde, intensificar a participação de sua militância nas ruas de Porto Alegre.
‘‘Nossa campanha não é só de rádio e TV. Vamos fazer política na rua, nos locais de trabalho, e mostrar nossa garra e disposição’’, disse o presidente do PT, Júlio Quadros.
A partir das 12 horas, no Largo Glênio Perez (centro da cidade), já haverá shows da banda baiana Banho de Cheiro e músicos gaúchos, com a apresentação de vídeos. A expectativa do PT é de que entre 20 mil e 30 mil pessoas estejam presentes no comício. Foram confirmadas as saídas de 200 ônibus do interior.
Lula esteve pela última vez em Porto Alegre há 16 dias (no dia 12). Na ocasião, disse que pretende possibilitar à população o mesmo ensino ao qual FHC teve acesso. Após visitar uma escola dedicada a meninos de rua, o candidato petista foi até o ‘‘mocó’’ (esconderijo) onde eles se escondem da polícia.

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