Lula vai a Washington em março para encontro com Trump
Presidente falou em conversa "olho no olho" entre chefes de estado; petista telefonou para Macron para falar sobre Conselho da Paz
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
Presidente falou em conversa "olho no olho" entre chefes de estado; petista telefonou para Macron para falar sobre Conselho da Paz
Pedro Rafael Vilela - Agência Brasil 

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (27) que viajará aos Estados Unidos em março para um encontro bilateral com o presidente do país, Donald Trump. A reunião ocorrerá na Casa Branca, em Washington. Lula confirmou a viagem ao chegar ao Panamá, na América Central, onde participou nesta quarta-feira (28) como convidado especial do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, a convite do país anfitrião.
"No começo de março eu vou fazer uma viagem a Washington porque os Estados Unidos e o Brasil são as duas principais democracias do Ocidente e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro, para que a gente possa discutir as boas relações entre Brasil e Estados Unidos", disse o presidente em rápida conversa com jornalistas na chegada ao hotel na Cidade do Panamá.
"Eu estou convencido que a gente vai voltar à normalidade logo, que a gente vai fortalecer o multilateralismo e que a gente vai fazer com que as economias voltem a crescer, porque é isso que o povo espera de todos nós", acrescentou. Lula e Trump conversaram por telefone na segunda-feira e trataram de diversos assuntos, incluindo a situação na Venezuela, o plano de paz para a Faixa de Gaza e o combate ao crime organizado, de acordo com nota oficial do Palácio do Planalto.
No Panamá, Lula também foi questionado sobre a crise na Venezuela e a presença militar dos EUA no Caribe. Ele disse conversou duas vezes com a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, ainda nos dias que se seguiram à invasão militar norte-americana, em Caracas, mas que vai ligar novamente para a sucessora de Nicolás Maduro.
"Eu conversei duas vezes com a presidente Delcy, mas não entrei em detalhe porque ela estava muito preocupada com os acontecimentos que era muito recente. Eu proximamente vou falar com a presidente Delcy. Eu espero que ela consiga dar conta do recado. É importante que o presidente Trump permita que a Venezuela possa cuidar da sua soberania, cuidar dos interesses democráticos da Venezuela e vamos ver o que que vai acontecer. Está tudo muito recente e eu acho que nós temos que ter um pouco de paciência porque quem vai encontrar uma solução para o povo da Venezuela é o próprio povo venezuelano", afirmou Lula.
Lula disse que vem dialogando com diferentes líderes internacionais em defesa do multilateralismo, citou a conversa que teve nesta segunda com o francês Emmanuel Macron, com o presidente do Chile, Gabriel Boric, e com o próprio Trump, no dia anterior.
CONVERSA COM MACRON
Lula e o presidente da França, Emmanuel Macron, conversaram na manhã de terça-feira (27) sobre a proposta do Conselho da Paz. O colegiado foi idealizado, criado e é presidido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump para, segundo ele, pacificar e reconstruir a Faixa de Gaza.
No telefonema, que durou cerca de 1 hora, Lula e Macron defenderam o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e concordaram que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU. O teor da conversa entre os presidentes foi divulgado pelo Palácio do Planalto.
Lula foi um dos líderes convidados a ocupar um assento no conselho, mas ainda não respondeu ao convite. Na semana passada, em um evento em Salvador, ele chegou a criticar a proposta de criação do Conselho da Paz, afirmando que Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono. A França também foi convidada, mas já negou o convite.
Na últimas semanas, Lula tem feito e recebido ligações de importantes líderes mundiais, entre eles o presidente da China, Xi Jinping; da Rússia, Vladimir Putin; da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; da Colômbia, Gustavo Petro; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; da Espanha, Pedro Sánchez; do Canadá, Mark Carney; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.
Nesta segunda-feira (26), Lula conversou, inclusive, com o presidente Trump. Ele sugeriu que o Conselho da Paz incluísse um assento para a Palestina e se limitasse a discutir as questões relacionadas à Faixa de Gaza. Também ficou combinada uma visita de Lula aos Estados Unidos, ainda este ano, em data a ser definida.
Venezuela
No telefonema, Lula e Macron também trocaram impressões relacionadas à Venezuela. Segundo o Planalto, ambos condenaram o uso da força em violação ao direito internacional e concordaram sobre a importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo.
No dia 3 de janeiro, os Estados Unidos bombardearam a Venezuela e sequestraram o presidente do país, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. Os dois foram levados para os Estados Unidos e a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, assumiu o comando do país interinamente.
Acordo Mercosul-EU
Ainda, os líderes de Brasil e França trataram sobre o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Lula reafirmou sua visão de que a parceria é positiva para os dois blocos e “constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras”.
O acordo foi assinado no dia 17 de janeiro deste ano, após 26 anos de negociação. Entretanto, no dia 21, o Parlamento Europeu decidiu pedir ao Tribunal de Justiça da União Europeia uma avaliação jurídica sobre a parceria comercial com os sul-americanos. Na prática, a medida paralisa o processo de implementação do acordo; o tribunal costuma demorar cerca de dois anos para emitir um parecer.
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A França é um dos países que se opõem à ratificação sob o argumento de que o acordo ameaça a agricultura local ao criar “concorrências desleal” com as importações mais baratas do Mercosul.
Por fim, o presidente Lula e o presidente Macron trataram sobre a agenda bilateral e se comprometeram a finalizar negociações em curso, para assinatura de acordos ainda no primeiro semestre de 2026. Segundo Planalto, os dois mantêm diálogo frequente sobre a cooperação entre os dois países, em especial nos temas de defesa, ciência e tecnologia e energia. (Colaborou Andreia Verdélio/Agência Brasil)





