Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tentar transformar o desgaste sofrido pelo governo devido à situação crítica das estradas brasileiras em um palanque para sua possível candidatura à reeleição.
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que já se declarou candidato ao Senado ou ao governo do Estado do Amazonas, disse que irá visitar as obras de recuperação emergencial das rodovias em todos os Estados a partir da próxima segunda-feira, e que convidará o presidente Lula para também vistoriar as obras. ''A partir de segunda-feira eu começo a visitar todos os Estados. Começo aqui por Goiás e Distrito Federal. Terça-feira vou para a Bahia, quarta-feira Minas Gerais, e vou percorrer todos os trechos'', disse o ministro antes de participar de reunião com o presidente Lula e os responsáveis pelas unidades do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) nos Estados, no Palácio do Planalto.
Com a liberação de R$ 440 milhões, o governo pretende tapar buracos em 26,4 mil quilômetros de rodovias, sendo que em 7,4 mil quilômetros fará as obras sem licitação. Sobre as críticas da oposição de que a operação é uma medida eleitoreira, o ministro respondeu com um ataque: ''a oposição esteve no governo e abandonou as estradas por 15 anos''.
Desconto - Em outra reunião com técnicos do DNIT, o ministro determinou que as obras que terão que ser feitas com dispensa de licitação deverão ser contratadas a um preço no mínimo 10% menor que o valor de referência utilizado pelo DNIT ao definir o teto de preços para as licitações. Uma portaria do Ministério deverá oficializar essa orientação.
Um dos critérios para a contratação das empreiteiras será a proximidade com os trechos a serem recuperados, para que as obras possam ser iniciadas imediatamente, segundo informou o próprio ministro.
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Adylson Motta, um dos críticos da operação de emergência que o governo anunciou para as estradas federais, disse que nos próximos dias, ele e seus colegas do TCU devem se reunir com representantes do governo para tratar do assunto. Independentemente da conversa, ele garante que a fiscalização das obras será intensa.

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