Brasília - Preocupado com o racha na base aliada por causa da sucessão no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou ontem com o senador José Sarney (PMDB-AP) e vai se reunir com os seis ministros do PMDB e o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), na segunda quinzena deste mês, após as viagens que fará a Roma e a Washington. O presidente quis saber se Sarney pretende mesmo concorrer ao comando do Senado e se o PMDB veta a candidatura do senador Tião Viana (PT-AC), apoiada pelo Planalto.
Sarney não assumiu a candidatura, mesmo porque não quer virar alvo de ataques. O senador só aceitará concorrer se for o nome de consenso da base. Lula estava interessado em saber se Sarney tinha alguma motivação pessoal para se candidatar, mas não obteve sucesso na empreitada. Discreto, o senador não deu pistas sobre suas intenções nem comentou a pretensão do PMDB - fortalecido após as eleições municipais - de abocanhar mais cargos no governo.
Na conversa, o presidente afirmou que fará um apelo aos ministros peemedebistas para evitar o confronto em sua base de apoio em fevereiro de 2009, quando haverá eleição para a escolha dos novos presidentes da Câmara e do Senado. Para Lula, o PMDB deve apoiar Viana, já que o PT garante aval a Temer na Câmara. Até agora, o impasse tem servido para medir forças dos dois maiores partidos aliados, o PT e o PMDB, dois anos antes da disputa presidencial. Com o argumento de que é a maior bancada tanto da Câmara como do Senado, o PMDB não aceita a reivindicação dos petistas, que não abrem mão da candidatura de Viana para a cadeira ocupada por Garibaldi Alves (PMDB-RN). (colaborou Tânia Monteiro)

mockup