Lula tenta evitar confronto no Congresso
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sábado, 22 de maio de 2004
Christiane Samarco e Cida Fontes<br>Agência Estado 
Brasília Antes de embarcar para a viagem de uma semana à China, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) operou pessoalmente para tentar evitar que a derrubada da emenda constitucional que permite a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado desse início a um clima de confronto no Congresso.
O presidente fez o alerta num jantar com ministros e políticos petistas e aliados na noite de quinta-feira, quando aliados do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), cogitavam a votação do texto original da emenda na próxima quarta-feira. Desistiram, por enquanto. A idéia é ganhar tempo para criar ambiente político favorável ao reexame do assunto.
''Vamos reavaliar e, em novembro, passadas as eleições municipais, talvez haja condições para retomar a discussão da emenda'', pondera o deputado Paulo Bernardo (PT-PR). ''Toda essa história terá um final feliz, não tenho dúvidas'', aposta o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo.
Familiares e amigos mais próximos do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), têm dúvidas sobre a conveniência de ele entrar em uma guerra aberta com o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Em qualquer hipótese, Sarney e seus aliados também já trabalham, ainda que de modo discreto, para inviabilizar a candidatura de Renan. ''Um acordo entre os dois é improvável, mas Sarney não fará nada que ponha em risco sua elegância britânica'', analisou um senador do PMDB.
Já Renan precisará de muito tato político e jogo de cintura, para sair vitorioso dentro da bancada e ao mesmo tempo arregimentar votos fora de seu partido, como no PFL e PSDB, onde Sarney transita com desenvoltura.
''Agora é hora de tocar o governo bem, cuidar da agenda do Legislativo e disputar as eleições'', adverte o presidente do PT, José Genoino, para completar: ''Se a presidência da Câmara tiver na cabeça de algum petista, eu vou tirar porque não é hora de tratar desse assunto.''


