Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva inicia esta semana fase decisiva de montagem da equipe de governo. Missão de Lula é encontrar nos quadros do próprio Partido dos Trabalhadores os principais nomes para conduzir as áreas estratégicas de governo.
Brasília - O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, entra nesta semana em uma fase decisiva de montagem de sua equipe de governo. Após vários contatos políticos e convites a aliados do primeiro e segundo turnos, o petista tem pela frente a missão de encontrar nos quadros do próprio PT os principais nomes para conduzir as áreas estratégicas de governo.
''Vou começar a pensar nisso a partir de agora, até porque não quero dualidade entre o ministro que está exercendo a função e o que vai embora'', disse Lula, na sexta-feira, ao chegar a Brasília, para passar o feriado.
A primeira decisão que Lula precisará tomar é sobre a pasta que caberá ao coordenador da equipe de transição, Antônio Palocci. O prefeito de Ribeirão Preto vem sendo cotado para comandar o Planejamento. Nos últimos dias, entretanto, começou a cogitar-se da hipótese de Palocci assumir a Fazenda. Ele é médico, não é economista, mas conhece o ABC da área, como Fernando Henrique, quando assumiu a pasta em 1993. Se Palocci ficar mesmo no Planejamento, crescem as chances de o deputado Aloízio Mercadante ficar na Fazenda, como era seu desejo.
Na última sexta-feira, Lula disse que ''todo brasileiro sabe da importância do Palocci na minha equipe, do José Dirceu, do Mercadante e do Gushiken''. O problema é que Mercadante é considerado essencial no Senado, assim como Dirceu na Câmara dos Deputados.
Ao lado desses quatros nomes, existem outros nomes que têm assento praticamente garantido no ministério, embora Lula ainda não saiba ainda onde encaixar cada um, devido às articulações políticas. O deputado José Genoíno, derrotado em São Paulo, por exemplo, é cotado para a Justiça, Secretaria-Geral e Defesa.
O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, chegou a ser lembrado para a Agricultura, mas há na cúpula do PT quem considere essa escolha suscetível a críticas dos grandes produtores devido à imagem de ''conivência'' com as invasões do MST no sul do País. Uma localização mais racional para Olívio seria o Ministério da Integração Nacional ou o Ministério dos Transportes.
O engenheiro Luís Pinguelli Rosa é outro com participação quase garantida, possivelmente na pasta de Minas e Energia, enquanto o senador eleito Cristovam Buarque é o nome mais forte para o Ministério de Educação. A governadora Benedita da Silva também já recebeu um aceno de Lula, e deve assumir uma secretaria especial na área social.
A senadora e ex-seringueira Marina Silva é o nome mais forte para assumir o Meio Ambiente. Só não ficará com a pasta se houver necessidade de concessão para outro partido aliado. O deputado Jorge Bittar, pouco citado, é uma espécie de curinga de Lula: pode ser usado no Planejamento, Telecomunicações ou Ciência e Tecnologia, embora esta seja outra pasta negociável com outras siglas.
Para o novo Ministério das Cidades, cuja criação foi anunciada durante a campanha, Lula tem dois nomes em mente: os ex-prefeitos de Porto Alegre, Tarso Genro, e de Belo Horizonte, Patrus Ananias. No Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Lula pode tentar emplacar seu vice, José Alencar.
Uma das principais dores de cabeça de Lula será a escolha do ministro ou secretário da Reforma Agrária, já que há no PT quem defenda que esse assunto fique diretamente vinculado ao Palácio do Planalto.
No Trabalho, dois nomes têm buscado apoio no PT para ocupar a pasta: o senador eleito Paulo Paim e o secretário de Trabalho da prefeitura de São Paulo, Márcio Pochman, economista da Unicamp e do Dieese. Nenhum dos dois, entretanto, tem aval da cúpula da CUT.

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