Lula tenta conter insatisfação na base aliada
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segunda-feira, 08 de novembro de 2004
Cida Fontes<br>Agência Estado 
Brasília, DF - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai reassumir pessoalmente o comando das negociações políticas para tentar conter o clima de insatisfação na base aliada do governo e retomar as votações do Congresso. Amanhã, o presidente almoçará com os líderes dos partidos aliados na Câmara, que está praticamente paralisada há três meses e com 21 medidas provisórias aguardando votação.
O almoço foi organizado pelo ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, que também entrará no circuito para retomar o diálogo com os partidos de oposição, com quem mantém bom trânsito. Depois da campanha eleitoral, que fez aflorar variados problemas na base governista, o ministro reconhece que o governo tem pela frente alguns desafios, como reunificar os aliados e negociar com a oposição. Só depois de concluídos esses movimentos poderá pensar em retomar as votações.
Apesar do agravamento da situação no Senado com a mudança de posição do grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), rebelado contra o governo do PT por conta da campanha em Salvador, o primeiro esforço do presidente Lula será com a Câmara. No passo seguinte, ele convocará os senadores aliados para um encontro. Antes do segundo turno, o governo notou que PPS, PTB e PMDB ajudaram a oposição a obstruir a pauta da Câmara.
Além das feridas eleitorais, outros motivos levaram ao impasse: insatisfação com o atraso na liberação de verbas de emendas do Orçamento propostas por parlamentares e com o eventual favorecimento concedido a parlamentares do PT. E o preenchimento de cargos nos Estados ainda continua provocando muita irritação entre os deputados.
Líderes do governo esperam que o presidente consiga neutralizar os focos de descontentamento e pacificar as bancadas. Em meio a tantas dificuldades, o governo ainda foi surpreendido com a decisão da cúpula do PMDB. Na reunião de São Paulo, os governadores propuseram que o partido saia do governo e devolva os cargos ocupados por seus indicados. E querem, também, que as bancadas assumam uma posição de independência ante o governo, apoiando apenas as votações de interesse geral.
Será uma posição semelhante à do PSDB, considerado um parceiro ocasional do governo quando são votados projetos de interesse nacional. Com os tucanos, no entanto, não há cessão de cargos para obter esses votos. ''Os governadores sabem que não podem romper mas ficam com as bancadas à sua disposição para negociar com o governo federal'', avaliou um líder governista. A decisão do PMDB acrescentou mais uma preocupação ao Planalto: sem o apoio do partido é impossível viabilizar as votações.


