São Paulo - A estratégia dos dois principais candidatos à Presidência para a reta final da campanha é diametralmente oposta: enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende promover aliados usando sua intenção de voto elevada, Geraldo Alckmin (PSDB) tentará pegar carona em candidatos bem colocados de sua coligação para levar a eleição para o segundo turno. Faltando duas semanas para a votação, a avaliação feita internamente pelo comando petista é de que Lula está virtualmente eleito. O esforço, avaliam, deve ser para engordar a bancada no Congresso e eleger número maior de governadores.
Na propaganda de televisão, a mensagem será regionalizada. Em São Paulo, será dito que quem vota em Lula precisa votar em Aloizio Mercadante para o governo, em Eduardo Suplicy para o Senado e nos candidatos a deputado do PT ou aliados. O argumento será o de que, uma vez reeleito, o presidente precisará da ajuda deles. Na Paraíba, onde o PT não tem candidato a governador, Lula pedirá votos para José Maranhão (PMDB). No Rio Grande do Norte, para Wilma Faria (PSB). ''O voto em Lula está se consolidando e não deve mudar'', avalia Gleber Naine, um dos coordenadores da campanha. ''Mas notamos que há uma dispersão muito grande, porque o eleitor não faz a vinculação entre o candidato a presidente e os que disputam outros cargos.''
Para facilitar essa vinculação, os coordenadores da campanha de Lula planejaram três grandes movimentações públicas. Para este fim de semana, foram programadas caravanas em 3.000 municípios pequenos. O presidente não irá acompanhá-las, mas haverá milhares de cartazes dele junto com os candidatos a outros cargos.
Na próxima sexta-feira, petistas e aliados pretendem ocupar as ruas das grandes cidades para o ''bandeiraço da inclusão social'' - uma forma de tentar mostrar que nenhum outro governo fez tanto contra a pobreza. Por fim, na sexta-feira anterior à eleição, PT e partidos aliados farão manifestações em todo o País, na chamada ''caminhada pela vitória''. Em São Paulo, os eleitores serão convidados a ocupar o Parque do Ibirapuera; em Belo Horizonte, a abraçar a Avenida do Contorno e seguir até a Praça Sete.

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