Lula tem pior avaliação desde a posse
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2004
Agência Folha 
Brasília - O governo Luiz Inácio Lula da Silva e o desempenho pessoal do presidente da República tiveram suas piores avaliações desde a posse, em janeiro de 2003, segundo pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) ao instituto Sensus. De sua posse, em janeiro de 2003, para cá, o índice de aprovação da gestão caiu 16,7 pontos percentuais (de 56,6% para 39,9%). Já a aprovação pessoal de Lula oscilou negativamente de 69,9% para 65,3%, enquanto a desaprovação passou de 21% para 24,2%.
Os dois índices de aprovação, pessoal e de governo, divulgados ontem, também oscilaram negativamente no início deste mês em comparação à medição de dezembro passado. A consulta ainda apontou para o avanço da desilusão dos entrevistados em torno do cumprimento das promessas petistas de campanha.
O conceito positivo da gestão oscilou de 41% para 39,9%, e o negativo, de 12,9% para 15,1% na comparação com dezembro. Apesar de a margem de erro da pesquisa ser de três pontos percentuais para mais ou para menos, a CNT/Sensus não vê uma ''estabilidade'', e sim um ''viés médio de baixa'' da popularidade da administração federal.
Foram entrevistadas 2.000 pessoas, entre quarta e sexta-feira passadas, em 24 Estados do país. Sobre as promessas da campanha, 42% dos entrevistados disseram que Lula não as estão cumprindo. Em agosto passado, o índice era de 34,1% - um avanço de 7,9 pontos percentuais.
''A popularidade ainda é alta, mas a sociedade começa a se tornar mais crítica por causa das promessas que não foram cumpridas, da recessão econômica e do desemprego'', afirmou o presidente da CNT, Clésio Andrade (PL), vice-governador de Minas Gerais.
Dentro da margem de erro, o percentual dos que avaliam o governo ótimo ou bom passou de 38,4% para 36,9% em relação a dezembro passado, enquanto os que consideram a administração Lula como ruim ou péssima oscilou de 31,5% para 33,6%. O índice de regular também manteve-se estável (de 27% para 26,7%). De janeiro de 2003 para a pesquisa divulgada ontem, o índice de péssimo cresceu de 1,2% para 8,4%.
A pesquisa também mostrou uma oscilação positiva daqueles que consideram inadequada ou fora do rumo a condução da política econômica (31,6% para 35,7%, em relação a outubro). E de 49,3% para 45,1% dos que avaliam como adequado o desenvolvimento da área social.
Entre os entrevistados, 54,6% admitiram não ter acompanhado a reforma ministerial do mês passado, a primeira do governo Lula. Entre os que disseram ter acompanhado ou tomado conhecimento, 55,2% avaliaram a troca de ministros como positiva ou muito positiva.
Entre as reformas consideradas prioritárias, a trabalhista apareceu em primeiro lugar (46,1%), seguida da agrária (14,8%), da política (12%) e da judiciária (11,3%). Sobre as políticas públicas que o governo deveria dar mais atenção, a geração de empregos atingiu 53,3% dos entrevistados. Os combates à fome (18%) e à violência (10,5%) apareceram depois.
Um dos itens da pesquisa mostrou que 74,4% dos entrevistados são a favor do fichamento de norte-americanos que chegam ao Brasil. Apenas 12,7% se posicionaram contrários à decisão da Justiça Federal.


