Curitiba - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra o presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro, em comício realizado na manhã deste sábado (12) em Curitiba. Foi o maior evento da campanha deste ano até agora na capital, com a presença do candidato ao governo Requião Filho (PDT) e os candidatos ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT). A Polícia Militar estimou em 20 mil os presentes na Boca Maldita, tradicional palco de discussões políticas e local do primeiro evento nacional pelas eleições diretas para presidente após a ditadura militar, em 1984.

Um dia depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal(STF), ministro Edson Fachin, determinar a quebra de sigilos de todos osenvolvidos no caso do Banco Master, Lula mudou o tom do discurso que vinha adotando. Ele disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) montou uma “quadrilha” para roubar o INSS e que o governo passado “transformou um agiota em um banqueiro”, referindo-se ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Imagem ilustrativa da imagem Lula sobe o tom contra Flávio Bolsonaro e reúne 20 mil apoiadores em Curitiba
| Foto: José Marcos Lopes

“Nós descobrimos, em dois anos, a maior quadrilha criada para roubar aposentados e pensionistas. Foi a Controladoria Geral da República, no meu governo, e a Polícia Federal que descobriram essa quadrilha montada no governo Bolsonaro, que roubou R$ 3,5 milhões com desconto falso de aposentados”, afirmou o presidente.

“Em 2019 eles criaram um banco e nós fechamos o banco. E ontem saiu matéria que o tal careca do INSS (Antônio Carlos Camilo Antunes, que atuaria como intermediário no esquema de desvios) está no mesmo endereço.”

Lula disse que conversou com Fachin para pedir a quebra de todos os sigilos do caso Master, já que o ministro do STF André Mendonça estaria fazendo “vazamentos seletivos” para proteger Flávio Bolsonaro.

“Não é possível um juiz relator ficar soltando matérias pinçadas, somente do que interessava a ele. Pedi para revelar todo o processo, vamos deixar nu para todos saberem quem está por trás disso. Vamos eixar claro quem é ladrão e corrupto e corrupto neste país. E a família Bolsonaro não escapa."

'Discurso de ódio não se cria'

Requião Filho tentou estabelecer uma diferença entre seu grupo político e os apoiadores de Bolsonaro. “Eles querem a violência, nós queremos o acolhimento e a empatia. O Paraná é terra de gente que acolhe o nordestino, o trabalhador. Aqui a gente acolhe todas as raças, credos e orientações. não fazemos distinção. Aqui, o discurso de ódio não se cria.”

Questionado após o comício sobre qual a primeira pergunta que faria a Sergio Moro, caso o candidato do PL participasse dos debates, Requião disse que questionaria o senador sobre sua intenção de se candidatar ao Senado por São Paulo em 2022. “Ele não tem propostas e não quer debater o Paraná."

Candidata ao Senado, a deputada federal Gleisi Hoffmann criticou os candidatos ao governo Sergio Moro (PL) e ao Senado Deltan Dallagnol (Novo). “Não é possível que aquele algoz desqualificado, um juiz que roubou para colocar o presidente Lula na cadeia, queria ser governador. Não quis nem ser candidato ao Senado pelo Paraná e foi buscar São Paulo. Não conhece o estado faz um discurso fácil” disse.

“Se eles quisessem realmente combater a corrupção, não estariam junto com o Flávio Bolsonaro, corrupto e ladrão envolvido nas falcatruas do Vorcaro”. Flavio Bolsonaro admitiu ter recebido R$ 61 milhões de Vorcaro, segundo ele para a produção do filme “Dark Horse.”

Gleisi atribuiu à extrema direita a onda de violência contra mulheres no país. “Tivemos dois feminicídios ontem [sexta], um em Araucária outro em Londrina. Teve outro na semana passada, em Maringá, uma médica foi morta. É uma tristeza esse número de feminicídios, que vem pelo discurso de ódio que é feito no país, pelo desrespeito que eles têm pelas mulheres. Eles não merecem governar esse país.”

Dr. Rosinha disse que se trata de uma eleição entre “a vida e a morte”. “Não é uma eleição simples, um nome contra outro nome. São projetos diferentes, o nosso projeto é o da vida e da ciência, do enfrentamento ao feminicídio. Do lado de lá está o projeto da morte e da destruição. Do lado de lá está a entrada do crime organizado no governo federal.”

Filmagem

Dois bolsonaristas, o deputado estadual Tito Barrichello (PL) e a mulher dele, a vereadora de Curitiba Tathiana Guzella (PL), ocuparam um apartamento de frente para a Boca Maldita e filmaram todos os discursos. Lula se referiu a eles como “puxa-sacos” no início de sua fala.

“Quando eu ia porta de fábrica, que eu era presidente do sindicato, a gente pegava de supresa alguém da segurança da empresa filmando a gente. Normalmente era um ex-militar aposentado que era um puxa-saco da empresa. E eu convidava essas pessoas para não ficarem escondidas. Venham para cá. Aqui tem lugar pra você. Se você vier, terá destaque. Quero convencer que você está errado.” O PT estimou em 30 mil o número de presentes na Boca Maldita.

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