Lula sobe o tom contra Flávio Bolsonaro e reúne 20 mil apoiadores em Curitiba
No maior evento de campanha este ano na Boca Maldita, atual presidente (PT) afirmou que Jair Bolsonaro transformou "um agiota em banqueiro" ao se referir a Vorcaro
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de setembro de 2026
No maior evento de campanha este ano na Boca Maldita, atual presidente (PT) afirmou que Jair Bolsonaro transformou "um agiota em banqueiro" ao se referir a Vorcaro

Curitiba - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra o presidenciável do PL, senador Flávio Bolsonaro, em comício realizado na manhã deste sábado (12) em Curitiba. Foi o maior evento da campanha deste ano até agora na capital, com a presença do candidato ao governo Requião Filho (PDT) e os candidatos ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT). A Polícia Militar estimou em 20 mil os presentes na Boca Maldita, tradicional palco de discussões políticas e local do primeiro evento nacional pelas eleições diretas para presidente após a ditadura militar, em 1984.
Um dia depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal(STF), ministro Edson Fachin, determinar a quebra de sigilos de todos osenvolvidos no caso do Banco Master, Lula mudou o tom do discurso que vinha adotando. Ele disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) montou uma “quadrilha” para roubar o INSS e que o governo passado “transformou um agiota em um banqueiro”, referindo-se ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

“Nós descobrimos, em dois anos, a maior quadrilha criada para roubar aposentados e pensionistas. Foi a Controladoria Geral da República, no meu governo, e a Polícia Federal que descobriram essa quadrilha montada no governo Bolsonaro, que roubou R$ 3,5 milhões com desconto falso de aposentados”, afirmou o presidente.
“Em 2019 eles criaram um banco e nós fechamos o banco. E ontem saiu matéria que o tal careca do INSS (Antônio Carlos Camilo Antunes, que atuaria como intermediário no esquema de desvios) está no mesmo endereço.”
Lula disse que conversou com Fachin para pedir a quebra de todos os sigilos do caso Master, já que o ministro do STF André Mendonça estaria fazendo “vazamentos seletivos” para proteger Flávio Bolsonaro.
“Não é possível um juiz relator ficar soltando matérias pinçadas, somente do que interessava a ele. Pedi para revelar todo o processo, vamos deixar nu para todos saberem quem está por trás disso. Vamos eixar claro quem é ladrão e corrupto e corrupto neste país. E a família Bolsonaro não escapa."
'Discurso de ódio não se cria'
Requião Filho tentou estabelecer uma diferença entre seu grupo político e os apoiadores de Bolsonaro. “Eles querem a violência, nós queremos o acolhimento e a empatia. O Paraná é terra de gente que acolhe o nordestino, o trabalhador. Aqui a gente acolhe todas as raças, credos e orientações. não fazemos distinção. Aqui, o discurso de ódio não se cria.”
Questionado após o comício sobre qual a primeira pergunta que faria a Sergio Moro, caso o candidato do PL participasse dos debates, Requião disse que questionaria o senador sobre sua intenção de se candidatar ao Senado por São Paulo em 2022. “Ele não tem propostas e não quer debater o Paraná."
Candidata ao Senado, a deputada federal Gleisi Hoffmann criticou os candidatos ao governo Sergio Moro (PL) e ao Senado Deltan Dallagnol (Novo). “Não é possível que aquele algoz desqualificado, um juiz que roubou para colocar o presidente Lula na cadeia, queria ser governador. Não quis nem ser candidato ao Senado pelo Paraná e foi buscar São Paulo. Não conhece o estado faz um discurso fácil” disse.
“Se eles quisessem realmente combater a corrupção, não estariam junto com o Flávio Bolsonaro, corrupto e ladrão envolvido nas falcatruas do Vorcaro”. Flavio Bolsonaro admitiu ter recebido R$ 61 milhões de Vorcaro, segundo ele para a produção do filme “Dark Horse.”
Gleisi atribuiu à extrema direita a onda de violência contra mulheres no país. “Tivemos dois feminicídios ontem [sexta], um em Araucária outro em Londrina. Teve outro na semana passada, em Maringá, uma médica foi morta. É uma tristeza esse número de feminicídios, que vem pelo discurso de ódio que é feito no país, pelo desrespeito que eles têm pelas mulheres. Eles não merecem governar esse país.”
Dr. Rosinha disse que se trata de uma eleição entre “a vida e a morte”. “Não é uma eleição simples, um nome contra outro nome. São projetos diferentes, o nosso projeto é o da vida e da ciência, do enfrentamento ao feminicídio. Do lado de lá está o projeto da morte e da destruição. Do lado de lá está a entrada do crime organizado no governo federal.”
Filmagem
Dois bolsonaristas, o deputado estadual Tito Barrichello (PL) e a mulher dele, a vereadora de Curitiba Tathiana Guzella (PL), ocuparam um apartamento de frente para a Boca Maldita e filmaram todos os discursos. Lula se referiu a eles como “puxa-sacos” no início de sua fala.
“Quando eu ia porta de fábrica, que eu era presidente do sindicato, a gente pegava de supresa alguém da segurança da empresa filmando a gente. Normalmente era um ex-militar aposentado que era um puxa-saco da empresa. E eu convidava essas pessoas para não ficarem escondidas. Venham para cá. Aqui tem lugar pra você. Se você vier, terá destaque. Quero convencer que você está errado.” O PT estimou em 30 mil o número de presentes na Boca Maldita.


José Marcos Lopes
Repórter colaborador baseado em Curitiba, com foco em política estadual.


