Lula só admite comparação a Getúlio Vargas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Ana Paula Ribeiro<BR>Folhapress 
Em reunião feita para unificar o discurso do governo em temas considerados essenciais pelo Palácio do Planalto, como os programas sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou para afirmar que as realizações do atual governo só podem ser comparadas com as feitas por Getúlio Vargas - que presidiu o Brasil por dois períodos: de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954.
''Estou convencido de que as realizações sociais e econômicas e de projeto de país só terão comparação com o governo do presidente Getúlio Vargas'', disse o presidente aos ministros que participaram da reunião ministerial de ontem.
Todos os ministros participaram da reunião, com exceção do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que está em viagem oficial aos EUA.
Para Lula, é importante fazer um trabalho de divulgação da ''agenda social'' que o governo irá desenvolver no segundo mandato e que ela deve se tornar o ''livro de cabeceira'' de ministros e parlamentares.
A reunião foi dividida em dois blocos, um econômico e outro social. No primeiro, o ministro Guido Mantega (Fazenda) relatou que o Brasil possui hoje baixa vulnerabilidade externa e que tem condições para enfrentar turbulências internacionais.
Já a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fez um balanço parcial sobre a execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Na segunda etapa da reunião, Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), apresentou a ''agenda social''. No encontro, ficou decidido que esses programas contariam com uma expansão orçamentária, mas não houve acordo sobre o valor.
Essa agenda está dividida em quatro eixos: redução da desigualdade (aumento dos benefícios do Bolsa Família), juventude (integração de projetos existentes nos diversos ministérios), direitos de cidadania (assistência a mulheres, quilombolas, povos indígenas e documentação civil básica) e cultura.
Os programas que serão atingidos não foram detalhados, com exceção do Bolsa Família, que passará atender também os jovens entre 15 e 17 anos, o que significará um acréscimo de 1,750 milhão de jovens no programa.
Parte da agenda social, mas fora dos quatro eixos, as áreas rurais mais pobres devem receber atenção especial. O Ministério do Desenvolvimento Agrário elegeu 60 territórios mais pobres como ''territórios da cidadania''.
Eles passarão por um processo de fomento da atividade produtiva com crédito, regulamentação da situação fundiária e assistência técnica que possa possibilitar a produção de culturas voltadas para o biodiesel.


