São Paulo - Mais de 20 conselheiros do Instituto Lula se reuniram ontem com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um hotel na zona sul de São Paulo, para discutir um novo formato da entidade privilegiando os debates para a conjuntura nacional. "Viemos discutir como o instituto vai funcionar daqui para frente. Na avaliação de diretores e conselheiros, é necessário se voltar para as questões do Brasil", afirmou o presidente-diretor da entidade, Paulo Okamotto. Logo no início da reunião, Lula afirmou que não falaria sobre as suspeitas referentes ao sítio de Atibaia, no interior de São Paulo, e ao tríplex em Guarujá, no litoral do Estado, porque diziam respeito a sua vida pessoal. Tanto o imóvel quanto o terreno tiveram reformas pagas por empreiteiras, segundo testemunhas, e são alvos de investigação da Polícia Federal e Ministério Público.
Em sua fala, a professora e socióloga Maria Vitória Benevides defendeu que o PT aprofundasse o relacionamento do instituto "com entidades da sociedade civil, como universidades e a OAB para discutir um projeto de país e não só enfrentar a crise política e econômica". Ela também disse que as acusações afetavam a honra do presidente Lula, e ouviu como resposta do ex-presidente: "Não discuto questões pessoais em reuniões do instituto".
O presidente do PT, Rui Falcão, afirmou que questões referentes às denúncias envolvendo o ex-presidente e aos depoimentos que ele dará ao MP serão tratadas na reunião de conjuntura marcada para segunda-feira, com a presença de Lula. Os advogados do petista Roberto Teixeira e Cristiano Martins chegaram no final da reunião e não se pronunciaram. O encontro durou pouco mais de cinco horas.
A presidente Dilma Rousseff deveria se encontrar ontem, na capital paulista, com Lula. Segundo petistas e aliados, a reunião foi costurada durante a semana e tem como objetivo discutir a resistência do PT à reforma previdenciária, que deve ser apresentada pelo governo federal neste semestre, e as investigações da Polícia Federal em relação a sítio em Atibaia (SP) frequentado pelo petista.

'ABSOLUTA CONVICÇÃO'
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ter "absoluta convicção" de que a campanha eleitoral que reelegeu a presidente Dilma Rousseff em 2014 não recebeu "em nenhum momento" verbas "não contabilizadas". "Já tem vários processos e as contas foram aprovadas, tudo absolutamente regular", afirmou.
Ontem, o jornal Folha de S.Paulo revelou que investigadores da Lava Jato apuram pagamentos atribuídos a subsidiárias da Odebrecht em contas no exterior controladas pelo marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas presidenciais do PT desde 2006. A investigação tem como um dos focos o recebimento de valores por Santana em 2014, ano da campanha à reeleição de Dilma.
Cardozo reiterou que tem o ex-presidente Lula, alvo de investigação, como um "grande líder" e que no plano político há "muitos interesses de setores da oposição" em atingir a imagem do petista.

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