Lula se prepara para conquistar a classe média
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sábado, 18 de fevereiro de 2006
Carlos Marchi<br>Agência Estado 
São Paulo- Em outubro do ano passado, quando começou a planejar a recuperação de sua imagem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu de João Santana, seu novo estrategista, que o primeiro alvo a conquistar seria o eleitorado que sempre foi dele e, por isso, não poderia ser perdido - os setores mais pobres da população, que estavam escapando de seu controle. Feito esse resgate, o governo vai tirar da cartola, mais à frente, uma redução dos tributos como apelo para iniciar a conquista da classe média.
Desde outubro, quando começou a etapa da recuperação de imagem, o governo gastou R$ 40 milhões em publicidade oficial; até 30 de junho, na segunda etapa, o governo tem a seu dispor R$ 156 milhões, que vão irrigar novas campanhas para consolidar a reconquista dos segmentos mais pobres e invadir o jardim da classe média. A menina-dos-olhos agora será a educação: entre as novas estrelas, os programas ProUni e Fundeb, a expansão do ensino universitário e o aumento do número de escolas técnicas.
As campanhas que estão a caminho serão mais universais na mensagem e, segundo os estrategistas do governo, vão atingir em cheio o coração e as mentes da classe média, setores em que Lula e o governo ainda têm avaliação negativa muito alta. A nova estratégia pretende mostrar realizações efetivas, palpáveis, que traduzam benefícios imediatos para o povo.
A assessoria de Lula convenceu-se de que um fator essencial para garantir a recuperação da imagem foi a nova estratégia de regionalizar a publicidade oficial. A regionalização, segundo a avaliação dos estrategistas do governo, potencializou os efeitos de marketing, enquadrou os fatos anunciados numa percepção regional e otimizou a aplicação de verbas. Assessores garantem que a estratégia foi uma idéia de Lula, que nunca conseguira convencer Duda Mendonça a adotá-la.
A grande campanha publicitária moldada para empurrar para cima a popularidade de Lula num ano eleitoral seria a que vai anunciar a autonomia brasileira de petróleo, que será feita para a Petrobrás pela agência de Duda Mendonça. Originalmente, no estilo Duda, ela seria tocada sob inspiração grandiloquente de uma antiga frase-bordão do presidente - ''nunca, na História deste país'' - e ganharia cores verde-amarelas com fortes debruns vermelhos.
Mas, dentro do palácio, os ministros Luiz Dulci e Dilma Roussef abriram uma trincheira contra a exploração eleitoral de um tema tão delicado, que poderia ocasionar polêmicas prolongadas e indesejáveis - porque, por óbvio, a auto-suficiência não é obra isolada do governo Lula e seria fácil desmascarar a abordagem indevida. No momento, a campanha está travada.


