Rio Branco - No maior comício realizado em Rio Branco desde o início de sua campanha, o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, comparou ontem sua aproximação com banqueiros e empresários a um namoro que deu certo. Ao discursar para cerca de sete mil pessoas às margens do rio que leva o nome do Estado, administrado pelo PT, Lula disse que não quer mais ver ninguém com medo de sua barba nem da bandeira vermelha do partido. ''Esses dias tive uma conversa muito dura e, ao mesmo tempo, muito séria com representantes do sistema financeiro e saí aplaudido'', afirmou o candidato do PT, ao lembrar sua visita à Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), na terça-feira, em São Paulo.
Ao relatar para a platéia que fora questionado por jornalistas sobre a antiga hostilidade da Febraban e mesmo da Bolsa de Valores (Bovespa) a seu nome, Lula apelou para o romantismo: repetiu que o tempo se encarrega de acalmar corações mais duros. ''Na primeira vez em que eu tentei conversar com a Marisa para namorar, ela também não me quis'', comentou, numa referência à sua mulher, Marisa Letícia Lula da Silva. ''Ela disse um não redondo, eu insisti e hoje estamos casados há 28 anos.''
Os aplausos para Lula eram tão fortes que a senadora Marina Silva (PT-AC), candidata à reeleição, não conteve o choro. Em cima de um caminhão de som estacionado diante do calçadão da Gameleira, marco de fundação da cidade, o presidenciável garantiu não ter hoje ''nenhum problema'' em dialogar com todos os setores da sociedade.
''Nem sei quantas pessoas eram inimigas minhas, tinham medo da bandeira vermelha do PT, da estrela do partido, da minha barba!'', recordou, depois de participar de uma caminhada na qual petistas carregavam uma enorme bandeira verde-amarela como espécie de ''abre-alas'' da manifestação. ''O tempo vai passando, todo mundo evolui e hoje o PT é um partido mais preparado e calejado, que governa 50 milhões de habitantes.''
Lula pediu empenho dos militantes para ajudar a reeleger o governador do Acre, Jorge Viana (PT). Lembrou que o Estado era dominado pelo narcotráfico e pelo crime organizado até Viana chegar ao Palácio Rio Branco, em 1998. Mais: disse que o PT só perdeu a eleição para a prefeitura, há dois anos, porque ''correu dinheiro solto''. ''Precisamos ficar em estado de alerta'', aconselhou. ''Se fecharmos os olhos, podem dar o golpe na gente outra vez.''

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