São Paulo - Para se defender das críticas de morosidade e desarticulação política de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou ontem seus opositores e subiu o tom das declarações ao dizer que os adversários esperam dele uma ''trombada'' no poder.
''Quem sabe eles (os críticos) estejam esperando que eu venha dar alguma trombada para poder dizer: ''Está vendo, o Lula é nervoso, é precipitado, ele não dá certo'. Eles não percebem que eu ainda continuo na base do Lula paz e amor. Nada vai me deixar nervoso'', afirmou o presidente, ao usar a expressão que caracterizou sua campanha, quando se esquivava do bate-boca com os adversários.
Lula é criticado pela demora no envio ao Congresso de propostas para reformas da Previdência e tributária. Além da oposição - principalmente o PFL -, os próprios aliados vêm dando declarações ácidas contra o governo. Entre eles, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), que disse, na sexta-feira, que o governo ''bate a cabeça'' na composição política no Congresso.
''Tem gente apressada demais. Tem gente que passou 20 anos no poder, tem gente que está no poder desde que Cabral descobriu o Brasil e não fez o que tinha que ser feito. Agora, eles querem que com setenta e poucos dias a gente já tenha resolvido o problema. Não vai ser no tempo deles, vai ser no nosso tempo'', afirmou o presidente, referindo-se indiretamente os pefelistas.
Lula esteve ontem na Volkswagen, em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, para a comemoração dos 50 anos da fábrica no Brasil, onde fez um discurso para cerca de 11 mil pessoas.
À platéia de trabalhadores, o presidente afirmou que as reformas tributária e previdenciária têm de promover ''justiça social''.
''Nós continuamos achando que não é justo pesar na classe média e na classe operária a grande tributação deste país. É por isso que nós queremos fazer uma reforma tributária para garantir que quem ganhe mais, pague mais.''
O presidente chegou à fábrica por volta das 10h30 e passeou pela linha de montagem, ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), em um modelo conversível da família Polo. Em seguida, discursou no pátio. Leia abaixo os principais trechos.

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