Lula sai em defesa do governo
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quarta-feira, 22 de junho de 2005
Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai para a linha de frente defender seu governo. Ele passou boa parte da tarde de ontem gravando um pronunciamento que será exibido em cadeia de rádio e tevê, provavelmente hoje, para dizer que nunca se combateu tanto a corrupção no Brasil quanto em seu governo. Se a idéia do pronunciamento presidencial foi abortada há três semanas por ser considerada um último recurso, ontem, depois de uma reunião com o secretário de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, e o publicitário Duda Mendonça, a avaliação foi que Lula teria que usar sua credibilidade para dar a versão do governo.
O clima ontem no Palácio do Planalto era de preocupação com a sequência de denúncias de corrupção que tem atingido o governo. Das licitações fraudadas nos Correios às denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que o PT estava comprando o apoio de deputados do PP e do PL com o mensalão, as denúncias começaram a pesar e deixaram o presidente abatido. A idéia geral no Planalto era de que o governo não estava conseguindo dar sua versão dos fatos e estava sendo atropelado pela oposição.
O presidente vai seguir, em seu pronunciamento, a mesma linha de seu discurso no início do mês na abertura do Fórum Global contra a Corrupção. Aquele foi o primeiro momento em que Lula mostrou publicamente a preocupação com as denúncias. Naquele dia, o presidente disse que ''cortaria na própria carne, se preciso fosse'' e que tinha ''uma biografia a preservar, um patrimônio moral, uma história de décadas em defesa da ética na política''.
Lula vai, mais uma vez, bater na idéia de que não há mais corrupção hoje e sim que os casos têm aparecido mais porque seu governo está trabalhando e investigando. Deve citar números de operações da Polícia Federal, casos solucionados, pessoas presas. Apresentar a idéia de que as investigações, mesmo em casos que envolvem funcionários federais, é pedida pelo próprio governo e que a PF tem tido liberdade total para trabalhar. Que o governo não compactua com casos de corrupção, haja vista o fato de ter uma corregedoria investigando os próprios contratos. Essa é a linha da entrevista dada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos há cerca de um mês, quando Lula estava embarcando para a viagem a Japão e Coréia.


