Lula sai em defesa de Dilma, preocupado com desgaste político
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Denise Chrispim Marin e Carol Pires<br>Agência Estado 
Quito - Preocupado com o desgaste político de sua candidata à sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu ontem em defesa da ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. O temor do Planalto é que Dilma seja colada à crise que envolve o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O governo também não quer a ministra como personagem da CPI da Petrobras.
Em Quito, capital do Equador, o presidente afirmou que considera uma fantasia a declaração da ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira de que teria recebido um pedido de Dilma, no final do ano passado, para agilizar a fiscalização envolvendo Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Lina afirmou que considerou a solicitação um recado para encerrar as investigações do Fisco sobre empresas geridas por Fernando Sarney.
Eu não acredito. Duvido que a Dilma tenha conversado com a Lina sobre qualquer assunto como esse, afirmou Lula à imprensa, depois de ter participado da 3ªReunião de Cúpula da União das Nações Sul-americanas (Unasul). Quem construiu essa fantasia, essa história, em algum momento vai ter de dizer que foi um ledo engano. Pode escrever uma matéria assim embaixo: erramos, completou o presidente.
Lula disse que não havia conversado com a ministra nos últimos dois dias, mas insistiu que não faz parte da personalidade de Dilma agir dessa maneira. Duvido que a Dilma tenha mandado recado ou conversado com qualquer pessoa a esse respeito. Não faz parte da formação política da Dilma.
Mas, confrontado com o fato de que o relato sobre o pedido de Dilma partiu da própria Lina, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Lula escapou. Eu não sei se a Lina falou. Não leio o jornal de domingo. Na segunda-feira, eu ouço as informações, declarou.
Oposição
Para romper a blindagem palaciana que protege Dilma, a oposição tentará convocar a ex-secretária da Receita Federal para depor na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), caso os senadores que representam a base governista na CPI da Petrobras barrem os requerimentos de convocação de Lina Vieira, apresentados pelos senadores Alvaro Dias (PSDB-PR) e Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA).
Na quinta-feira da semana passada, o relator da CPI, senador Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu que a comissão rejeitasse os requerimentos de convocação de Lina Vieira. A oposição negociou, e a votação dos pedidos de convocação foi adiada.
A oposição quer que Lina Vieira explique o que sabe sobre as razões de sua demissão e sobre a manobra contábil da Petrobras, assim como preste informações sobre a conversa que teria tido com Dilma.
Na CPI da Petrobras, a oposição ocupa apenas cinco das 15 cadeiras. Também na CCJ, a oposição é minoria, mas poderá contar, nessa comissão, com a ajuda de seu presidente, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), para aprovar a convocação de Lina Vieira.


