Lula reúne ministros e rebate críticas
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2005
Vera Rosa<br> Agência Estado 
Brasília - Abatido pela interminável crise política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promove hoje a última reunião ministerial do ano, no Palácio do Planalto, em tom de desagravo ao seu próprio governo. Num pronunciamento de 45 minutos, Lula não fará apenas a tradicional prestação de contas: vai dar uma resposta às críticas da oposição ao reafirmar que o Brasil está no caminho certo e pronto para dar um ''salto de qualidade'' em 2006, com novo ciclo de crescimento.
Diante de um ministério desfigurado pela crise que abalou a República e 19 dias depois da cassação do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu , o presidente reagirá à artilharia dos adversários, para quem o governo acabou. Provável candidato a um segundo mandato, Lula vai exaltar as ''realizações'' de sua gestão e indicar que não pretende deixar o ano eleitoral de 2006 interferir na administração.
O presidente baterá na tecla de que, apesar das críticas, foi o seu governo que conseguiu quitar uma dívida de US$ 15,5 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Dirá, ainda, que as instituições estão funcionando normalmente, mesmo com a turbulência política e com as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) em andamento. Embora o Planalto tenha feito de tudo para impedir que as CPIs dos Correios e dos Bingos invadissem o calendário eleitoral de 2006, Lula afirma que nunca cerceou as investigações.
A reunião ministerial será dividida em dois blocos: na parte da manhã, além de Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e ''gerente'' do governo, falarão os ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) que recentemente se queixou da paralisia administrativa , Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Ciro Gomes (Integração Nacional). Após o intervalo, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, abordará os rumos da economia.
Depois de Palocci, que explicará a necessidade de manter o arrocho, apesar da choradeira dos colegas, será a vez da exposição do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, sobre segurança pública e combate à corrupção. Jaques Wagner (Relações Institucionais) analisará a conjuntura política. No seu diagnóstico, a crise está perto do fim.
Para consumo externo, os governistas também sustentam que as pesquisas do Ibope e do Datafolha indicando que o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), venceria a eleição no primeiro turno se o adversário fosse Lula refletem um desgaste momentâneo, mas não definitivo. Na prática, porém, os levantamentos de intenção de voto acenderam o sinal amarelo no Planalto.
Sem a consultoria de marqueteiros, Lula construiu um discurso de defesa do seu governo que já começou a ser ''sacado'' em solenidades públicas. Daqui para a frente, o presidente vai usar e abusar da retórica de que é vítima do preconceito das elites e do ''denuncismo'' da oposição. Uma situação muito diferente daquela observada na útima reunião ministerial de 2004, quando apareceu feliz da vida diante do time. Na ocasião, Lula disse que 2005 poderia ser definido como o ano da ''colheita'' do muito que o governo havia plantado. Só não imaginava que uma poderosa crise bateria à sua porta e que a colheita fosse essa.


