Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem, em seu gabinete, 15 ministros e, segundo especulações em Brasília, foi dado o primeiro passo para a retomada da reforma ministerial. A reforma foi alvo de especulações desde o ano passado e abortada pelo presidente Lula em março.
A expectativa no Congresso é de que a qualquer momento o governo anuncie a saída do ministro José Dirceu, da Casa Civil, e seu retorno à Câmara, onde teria mais liberdade para se defender das acusações feitas contra ele pelo presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ).
Na segunda-feira, o vice-presidente do Senado, Tião Viana, subiu à tribuna para pedir oficialmente que todos os ministros petistas entreguem seus cargos ao presidente Lula, para que ele se sinta à vontade para promover a reforma ministerial. Na avaliação de Viana, somente a saída de José Dirceu não é uma solução para o governo.
A assessoria de imprensa do Planalto informou que participaram da reunião o presidente nacional do Sebrae, Paulo Okamoto e o assessor especial da presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.
Em seu depoimento anteontem, perante o Conselho de Ética, Jefferson afirmou que José Dirceu sabia da distribuição de verbas, por parte do PT, a deputados da base aliada, para o pagamento de uma mesada. Ainda segundo Jefferson, o da Casa Civil tentou blindar o presidente Lula e impedir que as denúncias de mensalão chegassem aos ouvidos do presidente. Jefferson disse ainda que Dirceu transformará Lula em réu, caso não deixe logo o governo.
Além de Dirceu, o presidente esteve reunido com os ministros Antonio Palocci (Fazenda) Ricardo Berzoini (Trabalho) Dilma Rousseff (Minas e Energia) Márcio Thomaz Bastos (Justiça) Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) Waldir Pires, (Controladoria Geral da União) Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) Celso Amorim (Relações Exteriores) Roberto Rodrigues (Agricultura) Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia) Miguel Rosseto (Desenvolvimento Agrário) Paulo Bernardo (Planejamento) Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) e o general Jorge Felix (Segurança Institucional).

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