Brasília - No primeiro programa de rádio do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem a reorganização do Grupo de Annapolis, que inclui vários países, além dos Estados Unidos e do Conselho de Segurança da ONU, para que se tente encontrar uma solução para o conflito no Oriente Médio. Depois de declarar que mandou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, seguir para a região do conflito, ''para dizer que o Brasil está interessado em participar ativamente, para que a gente possa encontrar, definitivamente, o caminho da paz naquele território'', Lula disse que gostaria que árabes e judeus vivessem lá como eles vivem aqui no Brasil.
Em sua fala, o presidente afirmou que ''precisamos deixar claro o nosso reconhecimento pela existência do Estado de Israel e a nossa disposição de ajudar a construir o Estado palestino''. Comentou ainda que é importante detectar ''quem quer os conflitos'' e ''colocar essas pessoas numa mesa de negociação, junto com as forças políticas que têm influência tanto na Autoridade Palestina, sobretudo no Hamas, e no povo de Israel''.
Depois de declarações consideradas polêmicas contra Israel, tanto pelo assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, quanto pelo PT, o discurso de Lula, agora, tem por objetivo recolocar a intenção de imparcialidade do País no devido lugar.
Na semana passada, enquanto Celso Amorim tentava dar um tom moderado às manifestações do Brasil sobre o conflito, criticando a perda de vidas humanas e o uso ''desproporcional'' de força na ofensiva israelense contra os palestinos, além de invocar a necessidade de um cessar-fogo imediato, Marco Aurélio Garcia, em entrevista, disse que a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza é ''terrorismo de Estado'' e se segue a um histórico de descumprimento de resoluções da ONU contra o país quanto à questão palestina.
Já o PT, em nota oficial, na qual compara a atuação do exército israelense na Faixa de Gaza às ações das forças nazistas de ocupação na Europa, em meados do século passado, que geraram o Holocausto com a morte de milhões de judeus. Segundo o PT, ''o governo de Israel ocupa territórios palestinos, ao arrepio de seguidas resoluções da ONU''.

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